Impulsivo por decreto, IOF também bateu recorde no mesmo mês
A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas atingiu R$ 234,5 bilhões em junho deste ano, um aumento de 6,6% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Este valor representa a maior arrecadação já registrada para meses de junho desde 1995, ou seja, em 31 anos. Os dados foram divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira (24).
De acordo com a Receita, o recorde foi impulsionado pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), medida anunciada pelo governo em 22 de maio. Embora tenha sido derrubada pelo Congresso Nacional em 27 de junho, a alíquota foi retomada, quase em sua totalidade, em 16 de julho, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
O IOF arrecadou R$ 8,02 bilhões, um crescimento real de 38,83%. Esse desempenho é atribuído a operações de saída de moeda estrangeira e de crédito para pessoas jurídicas, especialmente devido a alterações na legislação do tributo.
No primeiro semestre de 2025, a arrecadação federal somou R$ 1,42 trilhão. Corrigido pela inflação, o valor atinge R$ 1,44 trilhão, um crescimento real de 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Este também é o recorde histórico de arrecadação para os seis primeiros meses do ano.
Além da alta do IOF, a Receita também contou com o aumento de outros tributos, efetuados nos últimos anos, para melhorar a arrecadação em 2025:
- Tributação de fundos exclusivos, os “offshores”;
- Mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
- Retomada da tributação de combustíveis;
- Tributação das bets;
- Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas);
- Reoneração gradual da folha de pagamentos;
- Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse).
O aumento de impostos para alta da arrecadação está na mira do governo para tentar zerar o rombo nas contas públicas neste ano. Para 2026, o Ministério da Fazenda tem a meta de buscar um superávit de 0,25% do PIB — cerca de R$ 31 bilhões.
