Partido denuncia violações da soberania e critica o histórico de ingerências dos EUA na América Latina
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta quinta-feira (16) uma nota oficial com duras críticas às declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), sobre a Venezuela.
A sigla considerou “inadmissível” a autorização concedida por Trump à Agência Central de Inteligência (CIA) para realizar operações secretas no território venezuelano, além de considerar as ações militares dos EUA na região uma violação grave do Direito Internacional.
“Soma- se a isso o cerco militar que vem sendo praticado contra o povo venezuelano, com execuções sumárias de vidas humanas por forças militares norte-americanas. Trata-se de uma prática inadmissível, sem base legal e sem qualquer processo investigativo”, diz trecho do pronunciamento.
A reação ocorre um dia após reportagem do The New York Times revelar que o líder da Casa Branca autorizou missões secretas na Venezuela com alvos ligados ao alto escalão do governo chavista.
Pouco depois, o republicano confirmou a informação, mas se recusou a responder se teria permitido que a CIA eliminasse o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Segundo o PT, o uso da CIA para realizar ações encobertas no país vizinho representa uma “afronta à soberania” da Venezuela.
A nota também menciona um “longo histórico” de patrocínio e articulação de ações ilegais e desestabilizadoras em países da América do Sul voltadas a mudanças de regimes considerados hostis por Washington.
“Essas ações antidemocráticas deixaram marcas de ingerências, ilegalidades, golpes, repressão e ditaduras sangrentas no subcontinente. Em pleno século XXI, não podemos aceitar a repetição de práticas de um período opressor e sombrio. Não podemos aceitar a mais um ataque à soberania na América Latina”, completou a legenda.
Estados Unidos X Venezuela
Em resposta, o presidente da venezuela Nicolás Maduro também se manifestou, condenando o que chamou de “golpes da CIA” e reafirmando a resistência da Venezuela contra qualquer forma de interferência estrangeira.
“Digo ao povo dos Estados Unidos: não à guerra. Não queremos uma guerra no Caribe e na América do Sul (…) Até quando golpes de Estado da CIA? A América Latina não os quer, não necessita deles e os repudia”, declarou o venezuelano durante discurso transmitido em rede nacional na quarta-feira (15).
A movimentação militar dos EUA na costa venezuelana começou há dois meses, com a justificativa de combater o narcotráfico. As ações levaram a Casa Branca a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura de figuras do governo de Maduro.
No entanto, o governo venezuelano e parte dos setores progressistas da América Latina veem a operação como uma tentativa de intervenção política e geoestratégica, em uma região marcada por séculos de disputas pela hegemonia.
Até o momento, o presidente Lula não se manifestou diretamente sobre o tema. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, chanceler Mauro Vieira, está em Washington, onde participa de reuniões com autoridades norte-americanas, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio.
