Proposta do PL de anistia ampla tem resistência política
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Proposta do PL de anistia ampla tem resistência política

Bolsonaro em prisão domiciliar. Foto: Cristiano Mariz
Bolsonaro em prisão domiciliar Justiça do DF determinou ao ex-presidente o pagamento de honorários à defesa de Boulos após perder ação por danos morais. Foto: Cristiano Mariz

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Por Marília Rodrigues

As mobilizações pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados entrou na pauta do Congresso, mas encontra entraves políticos. Não há consenso sobre o conteúdo nem sobre qual Casa deve iniciar a tramitação. Na Câmara, bolsonaristas pressionam por um perdão amplo; no Senado, discute-se mexer na tipificação de crimes contra as instituições. Nos dois casos, a resistência é grande.

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A minuta defendida pelo PL na Câmara prevê anistia extensa: torna Bolsonaro elegível em 2026, alcança o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e abrange crimes cometidos nas redes, ofensas a instituições, apoio logístico e financeiro a protestos e ataques à soberania, conforme apuração da Folha de S. Paulo.

O texto também trata de medidas cautelares, o que poderia, por exemplo, derrubar eventual uso de tornozeleira eletrônica. Há outras versões circulando, sem acordo. “Nós temos algumas sugestões de texto, duas ou três versões. Essa é o mínimo do mínimo”, disse o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ).

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirma não haver definição para votar o tema. Segundo ele, há interesse de líderes e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas sem consenso: “Não tem ainda nenhuma novidade com relação a isso (…). Ele tem o interesse que se paute a anistia, isso é público (…). Estamos muito tranquilos em relação a essa discussão. Não existe ainda definição”.

No Senado, a ideia patrocinada por Davi Alcolumbre (União-AP) — unificar os crimes de abolição do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe, com penas menores e diferenciação entre líderes e coadjuvantes — sofre resistência na oposição. Para Sóstenes, “a partir do momento da condenação do Bolsonaro, não há texto alternativo. As penas são para todos os crimes”.

No Centrão, o PSD de Gilberto Kassab trabalha para colocar o assunto em discussão, mas sem compromisso de aprovar. A bancada está dividida, e aliados lembram que Kassab mantém boa relação com Lula.

Para STF, anistia é inconstitucional nesse caso

Ministros do STF veem inconstitucionalidade numa anistia a crimes contra a democracia. A Corte julga o núcleo da suposta ‘trama golpista’. Aliados de Bolsonaro leram como sinal verde uma fala recente do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, mas ele negou ter defendido a medida: “Eu disse que não achava que ela pudesse ser possível antes do julgamento. E que, após o julgamento, entendia que essa passava a ser uma matéria para o Congresso. Não defendi a ideia de anistia (…). Nunca antecipo voto”. Para alguns ministros do STF, a proposta do Senado pode ser mais palatável.

O governo Lula se mobiliza contra. Durante evento em Belo Horizonte na quinta-feira (04), o presidente afirmou que a “batalha” deve ser travada “pelo povo”: “Se for votar no Congresso, nós corremos risco da anistia (…). A extrema direita tem muita força ainda. É uma batalha que tem que ser feita também pelo povo”.

Nos bastidores, a anistia virou peça do tabuleiro de 2026. Siglas como PP, União, Republicanos e PL avaliam que o perdão consolidaria uma coalizão eleitoral e poderia ser condição para Bolsonaro apoiar Tarcísio à Presidência. O pacto, porém, não foi formalizado.

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