Presidente dos Correios reajusta próprio salário em 14% enquanto estatal tem prejuízo bilionário - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Presidente dos Correios reajusta próprio salário em 14% enquanto estatal tem prejuízo bilionário

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, aumentou o próprio salário em 14% desde que assumiu o comando da estatal, em 2023. No mesmo período, os trabalhadores da empresa receberam reajuste de apenas 4,1% via Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O aumento ocorreu mesmo com a empresa registrando um prejuízo recorde de R$ 2,6 bilhões em 2024 — quatro vezes mais que o déficit de 2023.

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O salário de Fabiano passou de R$ 46.727,77 para R$ 53.286,39 mensais entre março de 2023 e abril de 2024. Além disso, os benefícios também aumentaram: o auxílio-moradia subiu de R$ 4.331,90 para R$ 4.721,78; o auxílio-alimentação passou de R$ 699,35 para R$ 1.036,09; e a previdência complementar, de R$ 7.572,08 para R$ 7.921,91. O plano de saúde permaneceu em R$ 749,10.

Diretores da estatal também tiveram aumento. Os vencimentos passaram de R$ 40.632,85 no início do governo Lula para R$ 46.336,00 em 2025, além de benefícios e gratificações.

O aumento salarial da alta cúpula contrasta com o plano de austeridade anunciado pela empresa para 2025, que prevê economizar até R$ 1,5 bilhão. Entre as medidas, estão a suspensão de férias, o fim do teletrabalho e a renegociação de contratos. A empresa também tenta captar R$ 3,8 bilhões junto ao New Development Bank (NDB) para ampliar investimentos e prepara um marketplace próprio.

Fabiano Silva foi indicado por Lula e assumiu com a missão de afastar os Correios do processo de privatização iniciado no governo Bolsonaro. Ele é ligado ao grupo Prerrogativas, conhecido por sua oposição à Lava Jato e alinhamento ao PT. Seu mandato vai até agosto de 2025.

Em nota, os Correios afirmaram que os reajustes foram autorizados pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest/MGI) e aprovados em assembleia. Segundo a empresa, os aumentos seguiram o IPCA e os percentuais concedidos ao funcionalismo público. Apesar disso, o prejuízo de 2024 foi atribuído ao “sucateamento herdado” e à “taxa das blusinhas”, que teria favorecido o varejo nacional, mas impactado negativamente a estatal.

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