MinC reage e pede explicações sobre uso da Lei Rouanet no festival
A 11ª edição da Flim (Festa Litero Musical) de São José dos Campos foi adiada pela organização na noite de quarta-feira (17), após a onda de protestos contra o veto do prefeito Anderson Farias (PSD) à participação da jornalista Milly Lacombe. O festival começaria nesta sexta-feira (19), mas segue sem nova data definida.
O prefeito justificou a decisão alegando que as posições da jornalista vão “contra os valores da cidade”. O cancelamento provocou a saída de outros autores e editoras, além da renúncia coletiva das curadoras Alice Penna, Bia Mantovani e Tania Rivitti, junto da assistente de curadoria Bruna Fernanda.
“Nos sentimos desrespeitadas com essa decisão e decidimos, coletivamente, por encerrar nossa participação no festival”, afirmaram em nota.
O Ministério da Cultura (MinC) respondeu em comunicado, chamando o caso de cerceamento de pensamento. Segundo a pasta, a medida é “ainda mais lamentável porque acontece em uma ação cultural financiada com recursos públicos oriundos da Lei Rouanet”. O ministério prometeu cobrar explicações.
“O MinC solicitará informações detalhadas ao proponente da 11ª Festa Litero Musical de São José dos Campos, de forma a explicar quais foram os motivos objetivos que levaram ao cancelamento”.
A polêmica ganhou força depois que um vídeo de Milly Lacombe passou a circular nas redes sociais. No podcast “Louva a Deusa”, gravado em julho, ela afirmou: “Eu ‘tô’ super contra a monogamia, eu ‘tô’ super contra o amor romântico. Eu acho que esse negócio de família está fodendo a gente. Família é um núcleo produtor de neurose. Essa família tradicional, branca, conservadora, brasileira… Gente, isso é um horror. É a base do fascismo. Falemos a verdade”.
Diante da repercussão negativa, especialmente entre eleitores conservadores, Anderson Farias se pronunciou sobre o festival no X na terça-feira (16).
“Cultura deve unir, não dividir. Nossos espaços não serão usados como palanque contra a família e valores da cidade. Farei isso quantas vezes forem necessárias. A cultura em São José não é e nunca será palco político-ideológico”, escreveu o prefeito.
