PF identifica 1,8 mil acessos ilegais a dados de autoridades
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

PF identifica 1,8 mil acessos ilegais a dados de autoridades

Investigação aponta uso indevido de sistemas da Receita e do Coaf

PF identifica 1,8 mil acessos ilegais a dados de autoridades

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o esquema de obtenção ilícita de dados fiscais de autoridades identificou o acesso a informações de 1.819 pessoas, entre elas familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal de Contas da União, deputados, ex-senadores e um ex-governador.

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Houve acesso irregular, por exemplo, às informações fiscais da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci.

A informação foi destacada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao pedir a abertura da segunda fase da Operação Exfil realizada pela PF. A ofensiva realizou buscas nesta quarta-feira em seis endereços ligados ao empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde.

Marcelo Conde é apontado como “mandante” da estrutura que teria acessado indevidamente dados de magistrados. Moraes decretou a prisão preventiva do empresário, que está foragido.

De acordo com depoimentos colhidos pela PF, Conde teria fornecido listas de CPFs ao grupo e realizado pagamentos em espécie para obter declarações fiscais.

Segundo o inquérito, foram identificados múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal do Brasil para obtenção de dados. As informações também teriam sido extraídas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Ao autorizar a operação, Moraes afirmou que as buscas visam a “reconstrução das cadeias de eventos e identificação de outros possíveis envolvidos”.

A Polícia Federal apontou a existência de uma estrutura com participação de servidores públicos, terceirizados, despachantes e intermediários. Segundo a corporação, as mensagens trocadas podem “evidenciar a extensão da atuação” do grupo.

A primeira fase da operação foi aberta em fevereiro para “apurar o repasse de documentos fiscais submetidos à proteção legal e obtidos de forma criminosa mediante remuneração”.

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