PF flagra suplente de Alcolumbre sacando R$ 350 mil
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

PF flagra suplente de Alcolumbre sacando R$ 350 mil

Empresário é investigado por suspeita de fraude em licitações e lavagem de dinheiro em contratos no Amapá

PF flagra suplente de Alcolumbre sacando R$ 350 mil
PF flagra suplente de Alcolumbre sacando R$ 350 mil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Polícia Federal flagrou o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do presidente do Senado Davi Alcolumbre, deixando uma agência bancária com R$ 350 mil em dinheiro em espécie durante investigação sobre fraudes em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Amapá.

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O episódio consta em relatório de monitoramento da investigação que apura suspeitas de desvios em contratos do órgão federal.

A PF passou a acompanhar o empresário após alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras sobre saques considerados elevados em dinheiro vivo. Segundo os investigadores, as retiradas ocorreriam pouco tempo após o recebimento de recursos provenientes de contratos públicos.

De acordo com o relatório, agentes identificaram sucessivos saques em espécie que ultrapassam R$ 3 milhões em contas ligadas às empresas do empresário.

Monitoramento

Uma das retiradas monitoradas ocorreu em 7 de novembro de 2024, em uma agência bancária em Santana, município a cerca de 20 quilômetros de Macapá.

Segundo a PF, Breno Chaves Pinto chegou ao local por volta das 13h14 em uma SUV branca. Ele entrou na agência carregando uma mochila, permaneceu cerca de 30 minutos no interior do banco e saiu com o dinheiro em espécie.

Após deixar o local, o empresário entrou novamente no veículo e seguiu para a sede de uma de suas empresas.

Os investigadores identificaram que o carro utilizado estava registrado em nome de uma empresa pertencente a Alberto Brasil Alcolumbre e André Luiz Brasil Alcolumbre.

Segundo a assessoria de Alcolumbre, o senador “não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente”.

Investigação

O inquérito aponta suspeita de que o empresário atuaria como um dos líderes de um grupo investigado por fraude em licitações realizadas pela superintendência do DNIT no Amapá.

Segundo a PF, ele exerceria influência institucional no órgão ao se valer da condição de suplente de senador.

“As investigações financeiras demonstraram vultosos e sucessivos saques em espécie, que ultrapassam R$ 3 milhões, das contas de suas empresas, em datas próximas a pagamentos de contratos públicos, configurando indícios de lavagem de capitais”, afirma relatório da PF.

A investigação também identificou diálogos entre representantes de empresas e o então superintendente regional do DNIT antes da publicação de editais de licitação.

Em um dos registros interceptados, o gestor do órgão agradece ao empresário pelo aumento de recursos destinados ao DNIT e menciona tratativas atribuídas ao senador.

Contratos investigados

As apurações envolvem contratos que somam R$ 60,2 milhões relacionados à manutenção e recuperação de trechos da BR-156, principal rodovia do Amapá.

A suspeita é de que empresas investigadas simulavam concorrência em processos licitatórios para direcionar os contratos.

Procurado, Breno Chaves Pinto afirmou que os saques em espécie foram realizados para pagamento de funcionários e prestadores de serviço.

“O presente processo tramita sob segredo de Justiça, razão por que as manifestações da defesa ocorrem exclusivamente nos autos, em estrita observância às determinações legais”, afirmou em nota.

O DNIT informou que colabora com as investigações e que suas instâncias de integridade acompanham o caso para eventual adoção de medidas administrativas.

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