Investigação indica reunião na véspera da ação que resultou na prisão do ex-deputado
A Polícia Federal informou que o desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), se encontrou com o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil) na véspera da operação que prendeu Tiego Raimundo dos Santos Silva. O encontro teria ocorrido em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
Segundo a PF, Bacellar e o magistrado estariam juntos no momento em que TH Jóias enviava mensagens alertando sobre a operação policial, mencionando a saída de casa para evitar a prisão e a destruição de provas. TH é investigado por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas para o Comando Vermelho.
Macário Júdice Neto é relator do processo envolvendo TH Jóias no TRF-2 e foi preso na manhã desta terça-feira (16) no âmbito da Operação Unha e Carne 2, que apura o vazamento de informações sigilosas de investigações policiais. Na primeira fase da operação, em 3 de dezembro, Bacellar foi preso e afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Nesta nova etapa, ele voltou a ser alvo de buscas.

Na decisão que determinou a prisão do desembargador, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, constam diálogos extraídos do telefone de Bacellar que indicariam a presença conjunta dos dois no dia 2 de setembro. “Permitindo-se concluir que Bacellar e Macário provavelmente estavam juntos quando TH Jóias enviava mensagens a Bacellar sobre sua evasão e a destruição de provas”, diz o despacho.
De acordo com a PF, após ser avisado da operação, TH Jóias teria organizado uma mudança para eliminar provas, utilizando inclusive um caminhão-baú. Em mensagens enviadas a Bacellar, ele mencionou objetos que pretendia retirar do imóvel, entre eles um freezer.
A defesa do desembargador negou a ocorrência do encontro e afirmou que a informação apresentada pela PF não corresponde à realidade. Segundo o advogado Fernando Augusto Fernandes, imagens das câmeras de segurança do restaurante poderiam comprovar a inexistência do jantar. A defesa sustenta ainda que as mensagens citadas são de maio e não têm relação com processos judiciais, questionando se o ministro foi induzido a erro.
Conversas analisadas pela PF indicam relação próxima entre Macário Júdice Neto e Rodrigo Bacellar. Mensagens mostram trocas de favores, pedidos pessoais e expressões de amizade. Em um dos diálogos, o magistrado solicita ingressos para um jogo do Flamengo, pedido ao qual Bacellar respondeu que tentaria atender.
A defesa de Bacellar afirmou que o parlamentar tem colaborado com as investigações, cumprido todas as medidas cautelares impostas e que não atuou para embaraçar qualquer apuração.
