Corporação afirma que intervenção exigiria obras complexas e paralisação do sistema
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (7) que não é possível reduzir o ruído do ar-condicionado central na cela do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantido na Superintendência da corporação, em Brasília.
A manifestação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes após pedido da defesa do ex-mandatário, que solicitou providências diante do “ruído contínuo e permanente”. Os advogados pediram adequação do equipamento, isolamento acústico, mudança de layout ou outra solução equivalente.
A PF confirmou a existência do barulho na Sala de Estado-Maior, informando que o espaço é “adjacente a áreas técnicas destinadas à instalação e ao funcionamento de equipamentos do sistema de climatização do edifício”.
No entanto, a corporação afirmou que não há possibilidade de transferência de Bolsonaro para outra Sala de Estado-Maior, em razão dos protocolos de segurança adotados no local. Segundo o órgão, “não é possível eliminar ou reduzir significativamente esse ruído por meio de medidas simples ou pontuais”.
“Eventual intervenção efetiva demandaria ações complexas de infraestrutura e, sobretudo, a paralisação total do sistema de climatização por período prolongado, o que ocasionaria prejuízo à continuidade dos trabalhos ordinários desta Superintendência Regional”, afirmou o delegado Maurício Rocha da Silva no documento enviado ao STF.
A defesa sustenta que a situação “ultrapassa o mero desconforto e passa a caracterizar perturbação contínua à saúde e integridade do preso”. Bolsonaro está detido na sede da Polícia Federal desde 22 de novembro de 2025.
Segundo os advogados, o “ruído persiste sem interrupção” e gera um “ambiente incompatível com o repouso mínimo necessário à manutenção das condições físicas e psicológicas” do ex-presidente.
