Empresa com cinco veículos recebeu mais de R$ 400 mil entre 2020 e 2024
A Polícia Federal apura divergência entre os valores pagos pelos gabinetes dos deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) a uma locadora de veículos e a capacidade operacional da empresa. Segundo a investigação, os repasses feitos entre janeiro de 2020 e abril de 2024 superam R$ 400 mil, montante considerado incompatível com a frota disponível.
Dados extraídos do Portal da Transparência da Câmara indicam pagamentos de R$ 214 mil feitos por Jordy e de R$ 192,4 mil por Sóstenes Cavalcante. A PF identificou que a locadora possui apenas cinco veículos, o que reforça a suspeita de uso da empresa como fachada.
O relatório de inteligência financeira que deu origem à apuração apontou transações suspeitas entre um secretário parlamentar de Jordy e a locadora, com R$ 56 mil em créditos e R$ 23 mil em débitos. Para os investigadores, o fluxo indica possível saída de recursos da cota parlamentar para a empresa e retorno a assessores.
A investigação também registra movimentações de R$ 75.343,67 feitas por Jordy a seu secretário parlamentar, distribuídas em 63 operações. Segundo a PF, o fracionamento das transações caracteriza prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar a identificação por órgãos de controle.
Em decisão no caso, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que os elementos justificam a adoção de medidas cautelares diante da possível lavagem de dinheiro por meio de saques e depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil. As informações e materiais da investigação serão compartilhados com a Receita Federal para apuração no âmbito fiscal.
