PF descobre rede de espiões russos que atuava no Brasil há mais de uma década A PF revelou uma rede de espionagem russa que utilizou o Brasil como base de apoio por pelo menos 12 anos, segundo investigações conduzidas pela Diretoria de Inteligência.
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
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PF descobre rede de espiões russos que atuava no Brasil há mais de uma década

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Por Redação

Sergei Cherkasov, preso desde 2022, é disputado por Rússia e EUA

A Polícia Federal revelou uma rede de espionagem russa que utilizou o Brasil como base de apoio por pelo menos 12 anos, segundo investigações conduzidas pela Diretoria de Inteligência da PF. O esquema, descrito como uma “fábrica de espiões”, se espalhou pela América Latina e envolvia dez agentes.

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De acordo com a PF, os espiões criaram identidades falsas com históricos plausíveis para serem aceitos em diferentes países como se fossem brasileiros. Entre os disfarces, havia um suposto dono de joalheria em Brasília, um estudante apaixonado por forró em São Paulo e até uma modelo. Nove dos investigados já deixaram o Brasil após terem sido descobertos em 2022. Apenas um permanece preso, o Sergei Vladimirovich Cherkasov.

Cherkasov vivia em São Paulo desde 2010 com a identidade falsa de Victor Muller. Em 2022, foi preso após tentar desembarcar em Amsterdã com passaporte brasileiro falso para atuar no Tribunal Penal Internacional, em Haia. Devolvido pelas autoridades holandesas, acabou detido no Brasil por uso de documentos falsos.

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PF sede
Sede da PF em Brasília

As apurações indicam que Cherkasov recebia cerca de R$ 35 mil de funcionários do governo russo no Brasil para se manter, já que não tinha emprego formal. Ele também reportava planos de infiltração no Tribunal Penal Internacional, onde poderia acessar informações estratégicas sobre a Rússia.

A PF rastreou indícios de apoio da Embaixada da Rússia em Brasília e do Consulado russo no Rio de Janeiro à rede de espionagem. Um dos investigados chegou a ocupar posto de adido comercial antes de deixar o país sem prestar depoimento. A operação revelou ainda que agentes russos operavam em outros países da América Latina, como Argentina e Venezuela, inclusive usando aviões diplomáticos.

Após três anos preso na Penitenciária Federal em Brasília, Cherkasov passou a ser alvo de disputa diplomática. A Rússia pediu sua extradição alegando que ele seria foragido por tráfico de drogas, acusação que a PF questiona. Os Estados Unidos também solicitaram a extradição, apontando que ele teria praticado espionagem em território americano.

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