Presidente colombiano faz provocação em entrevista e recebe críticas da oposição e do Congresso americano
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou em entrevista à emissora Univision que a solução para a crise com os Estados Unidos seria “mudar Trump”. A declaração intensificou o desgaste diplomático entre Bogotá e Washington.
“A humanidade tem uma primeira saída: mudar Trump de diversas maneiras”, disse Petro ao jornalista Daniel Coronell. Em seguida, completou: “A maneira mais fácil pode ser através do próprio Trump. Se não, tirar Trump”, declarou, estalando os dedos.
As falas provocaram reação imediata nos Estados Unidos. O deputado republicano Carlos Gimenez, da Flórida, afirmou que as “ameaças de Petro” devem ser levadas a sério. Líderes da oposição colombiana também criticaram o tom adotado pelo presidente.
Durante a entrevista, Petro acusou o governo americano de tratar imigrantes “como cães”, e responsabilizou Trump por uma política que, segundo ele, “expulsou milhões de venezuelanos e agora os está tirando à força”.
As declarações foram feitas após uma troca de ofensas entre Petro e Trump nas redes sociais, motivada por operações militares americanas no Caribe. O republicano chamou Petro de “líder ilegal de drogas” e prometeu cortar financiamentos e subsídios à Colômbia. O colombiano respondeu chamando o americano de “grosseiro e ignorante” e determinou o retorno do embaixador colombiano de Washington.
No mesmo dia da entrevista, Petro se reuniu em Bogotá com o encarregado de negócios dos EUA, John McNamara. Segundo nota oficial, os dois reafirmaram o compromisso de cooperação no combate ao narcotráfico.
A Colômbia já foi um dos maiores receptores de ajuda financeira americana, mas os repasses foram suspensos neste ano com o fechamento da agência Usaid no país. O atrito mais recente ocorre após os EUA revogarem o visto de Petro durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, depois de sua participação em um ato pró-Palestina.
