Paulo Bilynskyj alerta: “É preciso descapitalizar o crime organizado” Deputado Paulo Bilynskyj defende atacar o financiamento das facções após megaoperação da PF contra o PCC em esquema bilionário de combustíveis no crime organizado
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Paulo Bilynskyj alerta: “É preciso descapitalizar o crime organizado”

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Por Adrian Almeida

Operação da PF mira movimentações ilícitas de mais de R$ 23 bilhões ligadas ao PCC

A megaoperação deflagrada na manhã desta quinta-feira (28) pela Polícia Federal contra o PCC, em um esquema bilionário de adulteração e distribuição de combustíveis, trouxe novamente o debate sobre a necessidade de combater não apenas os criminosos na ponta, mas, principalmente, o financiamento das facções. A avaliação é do deputado federal Paulo Bilynskyj (SP), que comentou hoje no programa ALive a importância de descapitalizar o crime organizado.

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“O que a gente está enxergando que não enxergava antes? O combate ao crime organizado sendo realizado da forma correta. O que isso significa? Significa descapitalização do crime organizado. Hoje, no Rio de Janeiro, existem 50 mil criminosos faccionados. Se a gente consegue prender esses 50 mil amanhã, o crime organizado, como ainda está capitalizado, vai contratar 65 mil no dia seguinte”, afirmou Bilynskyj.

O parlamentar ressaltou que o verdadeiro poder das facções está em grandes esquemas que movimentam bilhões no mercado legal, como postos de combustíveis, usinas de etanol e revendas de veículos.

“É onde está o dinheiro do PCC. No ciclo de lavagem, muito desse dinheiro já está circulando no mercado como se fosse limpo, mas é dinheiro criminoso. O que a gente tem que fazer é atacar o financiamento da organização criminosa”, completou.

Bilynskyj, que preside a Comissão de Segurança Pública, destacou ainda um projeto de sua relatoria que promove mudanças no Código Penal e no Código de Processo Penal. Segundo ele, a proposta funciona como uma “mini reforma” para permitir o combate mais efetivo à estrutura financeira das facções.

Já o presidente do Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz, disse que a operação da PF foi histórica pela integração inédita entre órgãos públicos e iniciativa privada.

“É fundamental essa integração, federais, estaduais, iniciativa privada, reunindo informações importantes. A ANP e outros órgãos atuaram, mas a grande força é o trabalho conjunto”, disse.

A avaliação é que o esquema criminoso se espalhou como um “polvo”, chegando até a política para barrar projetos de lei que poderiam enfraquecer o crime. Ele citou o projeto que trata do devedor contumaz, parado há oito anos no Senado.

“Sempre que vai para a votação, alguém dá um jeito, segura, não deixa andar”, afirmou.

Outro ponto de atenção levantado por Kapaz são os fundos de investimento usados para ocultar os verdadeiros donos das distribuidoras e postos.

“Toda vez que chegávamos perto de saber quem era o dono, encontrávamos um fundo, que por trás tinha outros fundos offshore. Você não consegue mapear o dono”, explicou.

Para ele, as buscas e apreensões realizadas pela PF podem finalmente expor os beneficiários ocultos desse esquema bilionário.

Assista ao programa na íntegra:

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