Relator busca acordo entre Câmara e Senado para evitar destino da PEC da Blindagem
O deputado Paulinho da Força (SP), relator do projeto que revisa penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, retomou reuniões com bancadas e disse trabalhar por um acordo entre as presidências da Câmara e do Senado para que a proposta não seja “segurada” pelos senadores após eventual aprovação dos deputados. A referência é ao destino da PEC da Blindagem, aprovada na Câmara e barrada no Senado, conforme apurou a CNN Brasil.
Segundo o relator, há preocupação entre líderes partidários de votar a matéria na Câmara e vê-la “enterrada” no Senado. Paulinho se reuniu nesta quarta (24) com PT, PSDB, União/PP e Podemos. Na bancada de União Brasil/PP, deputados demonstraram desgaste após a tramitação da PEC da Blindagem, o que azedou a relação entre as Casas, relatou o líder do PP, Doutor Luizinho (RJ).
Risco à pauta do IR e Impasse entre Câmara e Senado
Paulinho afirmou que a votação da isenção do Imposto de Renda pode ficar condicionada ao avanço da anistia: “Acho que, se não votar isso, não vota nem IR”, declarou. A Câmara prevê pautar a isenção do IR para rendas de até R$ 5 mil em 1º de outubro. O relator tenta cravar a votação da anistia até terça (30).
Para o líder do PP, “foi um momento triste” aprovar uma PEC em uma Casa e vê-la rejeitada na CCJ do Senado na semana seguinte, apesar de conversas que indicavam viabilidade. A leitura entre deputados é que sem sinalização do Senado não há clima para votar a anistia na Câmara.
Paulinho disse que levará o calendário ao presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), ainda nesta quinta (24), em tentativa de garantir que o texto vá ao plenário na próxima semana, antes da votação do IR. A bancada do PT, segundo o líder Lindbergh Farias (RJ), saiu unificada da reunião com o relator.
A articulação nas duas Casas será decisiva para destravar a votação na Câmara e evitar novo desgaste com o Senado — e, por consequência, para preservar o cronograma do IR.
