Oposição alega que escolha é prerrogativa das bancadas e denuncia censura
A oposição na Câmara dos Deputados anunciou agora há pouco que entrou com recurso contra a decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (PB), que vetou a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (SP) para a liderança da Minoria. A decisão foi publicada no Diário Oficial da Câmara e, segundo Motta, teve caráter “estritamente técnico”.
A indicação de Eduardo foi feita na semana passada pela oposição, com base em um ato da Mesa Diretora de 2015 que permitia a justificativa de ausências dos líderes em sessões e votações. O movimento foi visto como uma forma de evitar que Eduardo perdesse o mandato por faltas, já que a posição de líder garantiria presença registrada mesmo à distância.
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que a bancada já recorreu à Mesa Diretora.
“Essa resolução ainda vale. O presidente Hugo Motta não deveria ter tomado a decisão unilateralmente. Ele precisa reunir a Mesa Diretora. Nós não vamos aceitar essa decisão”, afirmou.
Sóstenes sugeriu ainda que o veto a Eduardo teria relação com as sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra a esposa do ministro Alexandre de Moraes.
“Ontem, depois da [Lei] Magnitsky na esposa do Moraes, recebi ligação do presidente Hugo Motta dizendo que não poderia cumprir o compromisso comigo. Me estranhou a mudança de comportamento do presidente Hugo Motta”, disse.
A atual líder da Minoria, Caroline de Toni (SC), também criticou a decisão. Para ela, a escolha dos líderes é uma prerrogativa das bancadas, e não cabe ao presidente da Câmara rejeitar.
“A escolha se concretiza com a homologação do presidente da Câmara. Ele não pode nem fazer juízo de valor sobre o caso. Isso enfraquece a bancada. É uma tentativa de censura à oposição”, afirmou.
