Papa cobra controle da IA e condena decisões letais por máquinas
Brasília, Domingo, 19 de julho de 2026
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Papa cobra controle da IA e condena decisões letais por máquinas

Primeira encíclica de Leão XIV critica avanço da inteligência artificial, guerra digital e concentração de poder tecnológico

Papa Leão XIV. Foto: Edgar Beltrán/The Pillar 
Foto: Edgar Beltrán/The Pillar 

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Papa Leão XIV publicou hoje (25) sua primeira encíclica e fez críticas ao avanço da inteligência artificial, ao uso militar da tecnologia e à concentração de poder nas mãos de grandes empresas privadas.

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No documento intitulado “Magnifica Humanitas”, o pontífice defendeu regulamentação internacional para desacelerar o desenvolvimento de sistemas de IA e afirmou que “não é permitido confiar decisões letais ou irreversíveis a sistemas artificiais”.

A encíclica também trata da automação do trabalho, da disseminação de desinformação e do crescimento da influência tecnológica sobre governos e sociedades. Segundo o papa, o atual cenário cria novas formas de dependência, exclusão e manipulação.

“Não basta invocar a ética no abstrato; são necessários marcos legais robustos, supervisão independente, usuários informados e um sistema político que não se esquive de sua responsabilidade”, escreveu o pontífice.

Ao tratar do setor militar, Leão XIV afirmou que a revolução digital está alterando a natureza dos conflitos armados. O texto cita ciberataques, campanhas de influência e automatização de decisões estratégicas como elementos de uma nova era de guerras híbridas.

“O que é criado para a defesa pode ser rapidamente reaproveitado para o ataque”, escreveu o papa. Segundo ele, a IA pode “diminuir o limiar para o uso da força” e estimular uma cultura em que vítimas passam a ser tratadas como “dano colateral”.

O líder da Igreja Católica também criticou o fortalecimento do complexo militar-industrial e afirmou que há um “ressurgimento da guerra como instrumento da política internacional”. Para o pontífice, interesses econômicos e militares passaram a influenciar diretamente decisões políticas em diferentes países.

A encíclica afirma ainda que a concentração de tecnologia nas mãos de empresas transnacionais dificulta a supervisão pública e amplia o risco de desigualdades. Segundo Leão XIV, o poder tecnológico assumiu um caráter “predominantemente privado”, acima da capacidade de controle de muitos governos.

Na área econômica, o papa criticou os efeitos da automação sobre empregos e afirmou que a busca por lucro não pode justificar a eliminação sistemática de postos de trabalho. “A proteção das oportunidades de emprego e o papel insubstituível do indivíduo devem permanecer a regra geral”, escreveu.

O texto também trata da influência das plataformas digitais sobre crianças e adolescentes. O pontífice defendeu maior articulação entre famílias, escolas e formuladores de políticas públicas para enfrentar modelos de negócios que, segundo ele, monetizam atenção e comportamento nas redes.

Ao abordar democracia e informação, Leão XIV afirmou que “a indiferença à verdade leva, lenta mas seguramente, a uma descida ao totalitarismo”.

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