Apesar das críticas, PL deve acatar decisão do presidente e cancelar sessões
A decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de vetar a realização de reuniões de comissões durante o recesso parlamentar, provocou forte reação da oposição.
O Partido Liberal (PL) classificou a medida como “ilegal e antirregimental” e organizou uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (22) para protestar. O veto frustrou os planos de aprovar moções de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, alvo de medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, como uso de tornozeleira eletrônica e restrições a entrevistas.
As comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, presidida por Paulo Bilynskyj (PL-SP), e de Relações Exteriores e Defesa Nacional, liderada por Filipe Barros (PL-PR), estavam agendadas para discutir as moções. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) criticou a decisão de Motta, argumentando que, com o presidente e o vice da Câmara fora do país, o segundo vice-presidente, Elmar Nascimento (União-BA), deveria assumir. “A censura começou com a caneta de Moraes e agora se estende a uma decisão ilegal. Me sinto amordaçado numa Casa que representa o povo”, disse.
O líder do PL anunciou que respeitará a decisão da Mesa Diretora, mas prometeu mobilização. “Trabalharemos nos gabinetes e nas ruas, ao lado do povo, para mostrar que não somos extremistas”, afirmou. O despacho de Motta, publicado no Diário Oficial, determina a retomada das atividades legislativas em agosto.
Durante a coletiva, um incidente marcou a reunião: o deputado Delegado Caveira (PL-PA) exibiu uma bandeira de apoio a Donald Trump, retirada a pedido de Bilynskyj, que reforçou o foco na defesa de Bolsonaro. Filipe Barros criticou a proibição de entrevistas ao ex-presidente, afirmando que “a imprensa está impedida de ouvir Bolsonaro, mas a oposição não se calará”.
Filipe Barros destacou a proibição de Jair Bolsonaro em conceder entrevistas, determinada por Alexandre de Moraes, afirmando que a imprensa está “proibida” de entrevistar o ex-chefe do executivo e que a oposição “não vai se calar” e “vai voltar às nossas bases e fazer a nossa mobilização de rua”.
