Oposição quer ouvir Receita no Senado após operação sobre dados do STF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Oposição quer ouvir Receita no Senado após operação sobre dados do STF

Izalci prepara requerimento para convocar servidores e direção do Fisco à CAE

Senador Izalci Lucas (PL-DF) vai pedir que servidores da Receita e o secretário Robinson Barreirinhas prestem esclarecimentos no Senado sobre operação da PF que apura vazamento de dados do STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A oposição no Senado pretende ouvir representantes dos servidores da Receita Federal após a operação da Polícia Federal (PF) que apura acesso e possível vazamento de dados fiscais sigilosos de autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF).

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O senador Izalci Lucas (PL-DF) informou que solicitou à equipe a elaboração de requerimento para ser apresentado na próxima semana na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A intenção é convocar os servidores investigados, representantes da categoria e a direção do órgão para esclarecer as circunstâncias do caso e as medidas adotadas.

— Vou chamar a associação dos servidores da Receita, as quatro pessoas (investigadas), provavelmente o secretário Barreirinhas. Tem que chamar o presidente da Associação dos Auditores, convidar alguns deles, se eles quiserem participar — afirmou.

A investigação apura se quatro servidores acessaram, sem autorização, informações fiscais de ministros do STF, do procurador-geral da República e de familiares dessas autoridades. Entre os casos está o da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a PF, os acessos não tinham justificativa funcional e podem ter resultado em repasse de dados sigilosos.

Izalci criticou as medidas cautelares impostas aos investigados, como uso de tornozeleira eletrônica e afastamento das funções públicas.

— Tem que obedecer ao processo de presunção de inocência. Não é assim, já botar a tornozeleira no cara. Expondo o nome dos servidores para todo mundo. Negócio meio estranho — disse.

Em nota, o STF informou que relatório da própria Receita identificou “diversos e múltiplos acessos ilegais” aos sistemas do órgão, sem justificativa funcional, com indícios de violação de sigilo funcional.

A pedido da Procuradoria-Geral da República, o STF autorizou busca e apreensão, quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, uso de tornozeleira eletrônica, afastamento das funções públicas e proibição de saída do país. Os servidores ainda serão ouvidos pela PF.

Também em nota, a Receita Federal afirmou que não tolera desvios relacionados ao sigilo fiscal e que seus sistemas são rastreáveis. O órgão informou que uma auditoria está em andamento para identificar acessos irregulares realizados nos últimos três anos.

Paralelamente, o caso repercute na CPI do Crime Organizado. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), mantém a previsão de votação, em 25 de fevereiro, de requerimentos para convocar a esposa de Alexandre de Moraes e os irmãos do ministro Dias Toffoli.

Os pedidos têm como base informações sobre relações financeiras entre familiares de ministros do STF e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No caso da esposa de Moraes, é citado contrato de honorários firmado com a instituição financeira. Em relação aos irmãos de Toffoli, a convocação envolve a venda de participação em resort a fundo ligado ao banco.

Toffoli deixou a relatoria do processo no STF após a divulgação de vínculos societários familiares com o empreendimento. A CPI sustenta que as oitivas são necessárias para esclarecer possíveis conflitos de interesse e relações financeiras envolvendo parentes de ministros da Corte.

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