Oposição protocola PDL para barrar leilão de capacidade de 2026
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Oposição protocola PDL para barrar leilão de capacidade de 2026

Proposta mira portarias do MME e aponta falhas legais, impacto tarifário e restrições à concorrência

A Câmara aprovou por unanimidade a autorização do IR até R$ 5 mil. Direita votou a favor, mas acusa governo de maquiagem fiscal e promete emendas no Senado para garantir justiça tributária real
O deputado Marcel Van Hattem apesar de votar a favor do IR, explica que a vitória é parcial. Foto: Câmara dos Deputados

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Deputados da oposição protocolaram o PDL 264/2026 para sustar portarias do Ministério de Minas e Energia que tratam do leilão de reserva de capacidade previsto para 2026.

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O projeto, apresentado por Marcel van Hattem e outros parlamentares do Novo, propõe a suspensão das Portarias nº 118/2025, nº 125/2026 e de trecho da Portaria nº 30/2021.

Segundo a justificativa, os atos “apresentam vícios relevantes de legalidade e constitucionalidade”, o que permitiria a sustação pelo Congresso com base no artigo 49 da Constituição.

O texto afirma que o modelo do leilão direciona a contratação para fontes fósseis, como gás natural e carvão, em desacordo com diretrizes da política energética e climática. Também aponta ausência de Análise de Impacto Regulatório (AIR), exigida pela Lei da Liberdade Econômica e por decreto federal.

De acordo com o PDL, as portarias criaram um “regime jurídico-econômico” sem base legal suficiente, ao estabelecer contratos de longo prazo, receita fixa anual e critérios detalhados de remuneração.

O projeto também questiona a exigência de contratação de transporte de gás natural para viabilizar ao menos 70% da operação das usinas, medida incluída na Portaria nº 125/2026.

Outro ponto citado é a restrição à concorrência. O texto afirma que as regras favorecem agentes já estabelecidos, com infraestrutura e capacidade financeira, o que reduz a entrada de novos participantes no certame.

Os deputados também apontam falta de motivação técnica nos atos do governo. Segundo o documento, não há demonstração do volume necessário de contratação nem comparação com alternativas como armazenamento de energia, resposta da demanda ou modernização de ativos existentes.

O PDL menciona ainda os resultados do leilão realizado em março de 2026. Foram contratados cerca de 19 GW de potência, com predominância de térmicas e baixo nível de competição.

Dados citados no projeto indicam custos variáveis entre R$ 800/MWh e R$ 1.400/MWh, além de pagamento de receita fixa mesmo sem despacho de energia, o que pode gerar impacto relevante nas tarifas.

Entidades do setor também apresentaram críticas ao modelo. A Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) e a Abrace apontaram risco de aumento na conta de luz, baixa competição e contratação acima da necessidade. As entidades defendem maior abertura tecnológica, com inclusão de baterias e resposta da demanda.

No mercado, empresas geradoras e associações do setor de gás e energia defenderam a manutenção do leilão e a segurança jurídica dos contratos firmados. O argumento é de que a contratação garante potência e estabilidade ao sistema elétrico.

O PDL 264/2026 ainda aguarda tramitação na Câmara dos Deputados.

O que é o PDL e por que a oposição quer sustar o leilão

O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) é um instrumento usado pelo Congresso para suspender atos do Executivo que ultrapassem o poder regulamentar. Nesse caso, o PDL 264/2026 busca derrubar regras definidas pelo Ministério de Minas e Energia para o leilão de reserva de capacidade de 2026.

A oposição sustenta que o governo editou portarias com impacto direto no setor elétrico sem cumprir exigências legais, como a Análise de Impacto Regulatório. Também aponta que o modelo adotado estabelece obrigações e contratos de longo prazo sem respaldo claro em lei, o que, na avaliação dos parlamentares, configura extrapolação de competência.

Outro argumento é que o desenho do leilão restringe a concorrência ao favorecer usinas térmicas já estruturadas, especialmente as movidas a gás natural, e limita a entrada de novas tecnologias. A crítica inclui o risco de aumento de custos para o consumidor, já que os contratos preveem pagamento fixo mesmo quando não há geração efetiva de energia.

Com base nesses pontos, os deputados defendem que o Congresso suste as portarias para reavaliar o modelo e impedir efeitos econômicos e regulatórios considerados indevidos.

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