Oposição chama Lula de autoritário após fala sobre cassação - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Oposição chama Lula de autoritário após fala sobre cassação

Câmara vai punir 14 deputados por motim contra Hugo Motta. Marcos Pollon será suspenso por 120 dias; Van Hattem e Zé Trovão, por 30
Câmara vai punir 14 deputados por motim contra Hugo Motta. Marcos Pollon será suspenso por 120 dias; Van Hattem e Zé Trovão, por 30

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Por Redação

Oposição cita histórico de ações semelhantes feitas pela esquerda

Parlamentares da oposição na Câmara divulgaram nesta sexta-feira (8) nota oficial em resposta à declaração do presidente Lula, que defendeu a cassação de deputados e senadores que ocuparam as mesas diretoras do Congresso. Para o grupo, a fala é “prova cabal” do que considera um perfil autoritário e incompatível com a democracia.

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O documento afirma que Lula tenta criminalizar um ato político legítimo, realizado em reação às denúncias conhecidas como “Lava Toga”. Segundo a oposição, as revelações apontariam que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, teria montado um “gabinete paralelo” para perseguir adversários políticos, atropelar a Constituição e fabricar acusações.

O bloco oposicionista lembrou que partidos de esquerda, como PT e PSOL, já ocuparam mesas diretoras em outras ocasiões, no impeachment de Dilma Rousseff, contra a prisão de Lula e contra reformas econômicas, sem que houvesse ameaças de cassação.

Na nota, os parlamentares também destacam que o PT, no passado, se opôs à indicação de Moraes para o Supremo, mas hoje estaria aliado ao ministro. A oposição acusa Lula e seu partido de se alinharem a um “projeto de destruição da oposição” e de promover censura e perseguição política.

O texto encerra afirmando que a oposição não se intimidará diante de ameaças e continuará atuando para “defender a Constituição e a liberdade”. De acordo com o grupo, Lula pode querer “uma ditadura sem oposição”, mas encontrará um bloco “coeso e combativo” no Congresso.

Confira a nota na íntegra:

NOTA OFICIAL – OPOSIÇÃO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo a cassação do mandato de parlamentares da Oposição que ocuparam as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, é mais uma prova cabal de seu perfil autoritário, truculento e incompatível com a democracia.

Lula, que já não esconde seu projeto de poder hegemônico, pretende criminalizar um ato político legítimo, realizado em um momento gravíssimo da vida nacional, em reação direta à denúncia da Lava Toga. Esta revelou provas contundentes de que o ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF, montou um gabinete paralelo para perseguir opositores políticos, atropelando a Constituição, fabricando acusações e rasgando direitos fundamentais.

O que Lula chama de “ato passível de cassação” é, na verdade, um instrumento de resistência democrática, usado inúmeras vezes pela própria esquerda. O PT, o PSOL e outros partidos aliados já ocuparam as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado em diversas ocasiões — no impeachment de Dilma Rousseff, para protestar contra a prisão de Lula, contra a Reforma da Previdência e contra a Reforma Trabalhista. Em todos esses episódios, a ocupação foi tratada pela imprensa e pelos próprios petistas como um ato político legítimo, sem qualquer ameaça de cassação de mandato.

É preciso lembrar que o próprio PT, no passado, foi contra a indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal, alegando que ele não tinha condições de ocupar o cargo. Hoje, no entanto, Lula e o PT se tornaram aliados de Moraes, unidos em um projeto de destruição da oposição, censura à imprensa livre e perseguição a todos que se atrevam a desafiar o regime que tentam impor ao Brasil.

Chega a ser irônico — e profundamente revelador — que Lula, que se beneficiou dessa tolerância institucional quando esteve na oposição, agora proponha punir parlamentares que cumprem o papel de defender o povo contra abusos de poder e contra o avanço de um projeto autoritário que se alinha ao que há de pior na esquerda nacional e internacional: regimes que silenciam vozes dissidentes, perseguem adversários e manipulam instituições para perpetuar-se no poder.

A Oposição na Câmara reafirma que não se intimidará com ameaças, intimidações ou tentativas de cassação. Continuaremos firmes, defendendo a Constituição, o Estado Democrático de Direito e o direito sagrado do povo brasileiro de ter representantes que não se curvem diante de abusos. Lula pode querer uma ditadura sem oposição — mas encontrará aqui um bloco coeso, combativo e inabalável na defesa da liberdade.

Brasília, 8 de agosto de 2025
Oposição na Câmara dos Deputados

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