Oposição cita histórico de ações semelhantes feitas pela esquerda
Parlamentares da oposição na Câmara divulgaram nesta sexta-feira (8) nota oficial em resposta à declaração do presidente Lula, que defendeu a cassação de deputados e senadores que ocuparam as mesas diretoras do Congresso. Para o grupo, a fala é “prova cabal” do que considera um perfil autoritário e incompatível com a democracia.
O documento afirma que Lula tenta criminalizar um ato político legítimo, realizado em reação às denúncias conhecidas como “Lava Toga”. Segundo a oposição, as revelações apontariam que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, teria montado um “gabinete paralelo” para perseguir adversários políticos, atropelar a Constituição e fabricar acusações.
O bloco oposicionista lembrou que partidos de esquerda, como PT e PSOL, já ocuparam mesas diretoras em outras ocasiões, no impeachment de Dilma Rousseff, contra a prisão de Lula e contra reformas econômicas, sem que houvesse ameaças de cassação.
Na nota, os parlamentares também destacam que o PT, no passado, se opôs à indicação de Moraes para o Supremo, mas hoje estaria aliado ao ministro. A oposição acusa Lula e seu partido de se alinharem a um “projeto de destruição da oposição” e de promover censura e perseguição política.
O texto encerra afirmando que a oposição não se intimidará diante de ameaças e continuará atuando para “defender a Constituição e a liberdade”. De acordo com o grupo, Lula pode querer “uma ditadura sem oposição”, mas encontrará um bloco “coeso e combativo” no Congresso.
Confira a nota na íntegra:
NOTA OFICIAL – OPOSIÇÃO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo a cassação do mandato de parlamentares da Oposição que ocuparam as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, é mais uma prova cabal de seu perfil autoritário, truculento e incompatível com a democracia.
Lula, que já não esconde seu projeto de poder hegemônico, pretende criminalizar um ato político legítimo, realizado em um momento gravíssimo da vida nacional, em reação direta à denúncia da Lava Toga. Esta revelou provas contundentes de que o ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF, montou um gabinete paralelo para perseguir opositores políticos, atropelando a Constituição, fabricando acusações e rasgando direitos fundamentais.
O que Lula chama de “ato passível de cassação” é, na verdade, um instrumento de resistência democrática, usado inúmeras vezes pela própria esquerda. O PT, o PSOL e outros partidos aliados já ocuparam as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado em diversas ocasiões — no impeachment de Dilma Rousseff, para protestar contra a prisão de Lula, contra a Reforma da Previdência e contra a Reforma Trabalhista. Em todos esses episódios, a ocupação foi tratada pela imprensa e pelos próprios petistas como um ato político legítimo, sem qualquer ameaça de cassação de mandato.
É preciso lembrar que o próprio PT, no passado, foi contra a indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal, alegando que ele não tinha condições de ocupar o cargo. Hoje, no entanto, Lula e o PT se tornaram aliados de Moraes, unidos em um projeto de destruição da oposição, censura à imprensa livre e perseguição a todos que se atrevam a desafiar o regime que tentam impor ao Brasil.
Chega a ser irônico — e profundamente revelador — que Lula, que se beneficiou dessa tolerância institucional quando esteve na oposição, agora proponha punir parlamentares que cumprem o papel de defender o povo contra abusos de poder e contra o avanço de um projeto autoritário que se alinha ao que há de pior na esquerda nacional e internacional: regimes que silenciam vozes dissidentes, perseguem adversários e manipulam instituições para perpetuar-se no poder.
A Oposição na Câmara reafirma que não se intimidará com ameaças, intimidações ou tentativas de cassação. Continuaremos firmes, defendendo a Constituição, o Estado Democrático de Direito e o direito sagrado do povo brasileiro de ter representantes que não se curvem diante de abusos. Lula pode querer uma ditadura sem oposição — mas encontrará aqui um bloco coeso, combativo e inabalável na defesa da liberdade.
Brasília, 8 de agosto de 2025
Oposição na Câmara dos Deputados
