Defesa do ex-presidente entregou esclarecimentos ao STF sobre relatório da PF
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou agora há pouco, em resposta ao Supremo Tribunal Federal, que a investigação da Polícia Federal “é o massacre” do ex-mandatário. O posicionamento foi apresentado no inquérito que apura suposta coação a autoridades na ação penal da trama golpista.
“É necessário presumir que os investigadores sabem o que é o crime de lavagem, que determina origem ilícita e não se consubstancia com depósitos, via Pix, para familiares. Então, o objetivo é o massacre. A desmoralização. Ou seja, é lawfare em curso”, afirmaram os advogados.
O relatório da PF gerou a divulgação de áudios, indícios de lavagem de dinheiro e apontou uma possível tentativa de fuga do país por Bolsonaro, que permanece em prisão domiciliar e usando tornozeleira eletrônica.
Os advogados também explicaram ao STF a presença de um rascunho de pedido de asilo político à Argentina encontrado no celular do ex-presidente.
“Parece claro que um rascunho de pedido de asilo ao presidente argentino, datado de fevereiro de 2024, não pode ser considerado um indício de fuga”, disse a defesa.
Ps advogados reforçaram que, “para além da ausência de fatos novos ou mesmo contemporâneos, é certo que não há qualquer notícia de descumprimento de nenhuma das cautelares já impostas neste último um ano e meio”.
O prazo para que a defesa se manifestasse, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, terminou às 20h34 desta sexta-feira. Agora caberá ao relator decidir se pede manifestação da Procuradoria-Geral da República e se toma medidas adicionais contra o ex-presidente.
Os advogados criticaram ainda a exposição de conversas privadas e dados financeiros como parte da narrativa do inquérito.
“Conversas privadas, movimentações financeiras, pagamentos feitos a profissionais, tudo foi cuidadosamente transmitido à imprensa, como se dados bancários não fossem protegidos por Lei”, afirmaram.
Além disso, a defesa contestou a interpretação da PF sobre mensagens enviadas a aliados e familiares.
“O relatório sugere descumprimento por simples recebimento de mensagem de SMS, mas não há qualquer reação ou contato do ex-presidente. A inexistência de resposta é o exato contrário de manter contato”, afirmam os advogados.
