“O governo Lula piorou o que já existia e quer transformar gás em voto”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

“O governo Lula piorou o que já existia e quer transformar gás em voto”

Júlia Zanatta critica MP do Gás, aponta isenção fiscal e cobra reação do setor produtivo

Deputada Júlia Zanatta afirma que MP do Gás amplia gastos, cria isenção fiscal e fortalece dependência do Estado
Deputada Júlia Zanatta afirma que MP do Gás amplia gastos, cria isenção fiscal e fortalece dependência do Estado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Durante participação no programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, nesta quarta-feira (4), a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) afirmou que a Medida Provisória do Gás aprovada pela Câmara “piora e aumenta” um programa já existente e foi estruturada para ampliar a dependência do Estado.

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Segundo a parlamentar, a discussão ocorreu previamente entre deputados. Ela relatou que a deputada Bia Kicis se posicionou desde o início contra a proposta. “A Bia logo se posicionou: ‘eu vou concorrer e eu vou votar contra’”, disse.

Zanatta afirmou considerar equivocada a avaliação de que votar contra o governo inviabiliza candidaturas majoritárias. “Eu acho bobagem esse tipo de pensamento, principalmente para vaga do Senado, porque a vaga do Senado não tem segundo turno”, afirmou.

De acordo com a deputada, o voto contrário à MP é um posicionamento político. “Quando tem posicionamento e sabe explicar, é óbvio que tem explicação”, disse. Segundo ela, o programa foi criado em 2002 e reformulado durante o governo Jair Bolsonaro. “No governo Bolsonaro, isso foi transformado em um auxílio em dinheiro, que é melhor porque gira, circula dinheiro na economia”, afirmou.

Na avaliação da parlamentar, o atual governo rejeita esse formato. “O governo Lula não confia e não acredita no povo brasileiro”, disse. Para ela, o modelo atual busca amarrar o benefício ao Executivo. “Ele quer transformar isso em voto. Ele quer dizer: ‘vem aqui pegar o gás porque eu que estou dando’”, afirmou.

Zanatta disse que a MP amplia gastos em um cenário fiscal desfavorável. “Não tinha, aumenta numa situação em que a gente está com as contas quebradas”, declarou. Segundo ela, o custo não é arcado pelo governo. “Quem paga não é o governo, porque o governo não produz nada”, afirmou.

A deputada também destacou a existência de isenção fiscal na proposta. “Nessa MP tem uma isenção fiscal de oitocentos milhões de reais para empresas do setor naval”, disse. Segundo ela, o benefício foi incluído sob a justificativa de transporte do gás.

Zanatta afirmou que a isenção contraria o discurso que sustentou a aprovação da reforma tributária. “A esquerda vive dizendo que tinha muita isenção fiscal, que precisava acabar, e no meio da MP do gás colocaram mais uma”, afirmou.

Ela também criticou a falta de mobilização do setor produtivo. “Cadê o setor produtivo para se posicionar?”, questionou. Zanatta citou a proposta de fim da escala 6×1 como prioridade do governo em 2026. “Mesmo eles tendo confessado que não existem estudos sobre o tema, essa é a pauta”, afirmou.

Segundo a deputada, o setor produtivo não tem reagido de forma organizada. “Eu não vi setores produtivos fazendo campanha efetiva em veículos de comunicação sobre isso”, disse.

Zanatta afirmou que parlamentares atuam em estrutura reduzida diante da máquina do governo. “Nós vivemos na micro realidade dos nossos gabinetes”, declarou. Segundo ela, isso facilita o avanço de pautas que elevam preços. “São pautas que vão deixar tudo mais caro”, afirmou.

A deputada também criticou entidades empresariais que apoiaram a reforma tributária. “Tanto a Fiesc quanto a CNI foram favoráveis a essa reforma”, disse. Para ela, falta articulação. “Nós seremos atropelados”, afirmou.

Zanatta disse que parte da população não percebe a carga tributária no consumo. “O brasileiro acha que só o rico paga imposto”, afirmou. Segundo ela, impostos estão embutidos em produtos do dia a dia. “Tem imposto no celular, no pneu, no carro, e as pessoas não sabem”, disse.

Durante o programa, Cláudio Dantas afirmou que o setor produtivo está desconectado do debate público. “Vocês estão colocando temas sérios na mão de quem fala de fofoca”, disse. Para ele, o debate precisa ocorrer em espaços políticos e técnicos.

Dantas também criticou a proposta de fim da escala 6×1. “Isso vai entrar na correria, sem debate”, afirmou. Segundo ele, a medida terá impacto direto na produtividade. “Vai ter um efeito brutal na queda da produtividade no Brasil”, disse.

O apresentador afirmou ainda que a política tributária recente encareceu produtos. “Isso não afetou a renda do mais rico, afetou o consumo do mais pobre”, afirmou. Segundo ele, o resultado final é o aumento de preços. “A produção fica mais cara e o produto final fica mais caro”, disse.

Assista ao programa na íntegra

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