Malu Gaspar, uma das principais colunistas de O Globo, publicou há dois dias informação de notório interesse social, a de que o Banco Master contratou o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes. A repercussão foi imediata por duas razões: o valor expressivo de R$ 3,6 milhões mensais por três anos e o “escopo bastante amplo, o de representar o Master onde for necessário”, sem especificar uma única causa ou processo.

Hoje, como se nada tivesse acontecido, a jornalista reproduz trechos do contrato com sua delimitação para atuar na defesa dos interesses do banco e de seu dono, Daniel Vorcaro, “junto ao Banco Central (BC), à Receita e ao Congresso Nacional”.
Não só, o documento que selou a parceria traz em seu o objeto as atividades de “organização e coordenação de cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa – perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Judiciária, órgãos do Executivo (Banco Central, Receita Federal, PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, Cade (órgão de defesa da concorrência) e Legislativo (acompanhamento de projetos de interesse do contratante)”.
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A MANCHETE ‘ERRAMOS’
Em agosto de 2000, o Correio Braziliense se tornou o primeiro jornal do país a publicar um “erramos” em sua manchete, para corrigir uma informação errada publicada no dia anterior. Como a matéria errada havia sido divulgada na manchete, o jornal decidiu dar o mesmo destaque à correção. O diretor de Redação era Ricardo Noblat, que demonstrou coragem ao tomar atitude inédita:
“Está equivocada a reportagem publicada na edição de ontem do Correio Braziliense sob o título O grande negócio de Jorge. A reportagem diz que uma empresa, a DBO, sigilosamente associada a outra, a DTC, mantinha contrato milionário com o Banco do Brasil. E um dos sócios da DTC era o secretário do Palácio do Planalto Eduardo Jorge Caldas Pereira. Há erros na informação quanto ao nome e o local da sede da DBO e nenhuma evidência de que esteja ligada à DTC. Nem o contrato milionário com o Banco do Brasil, que o Correio informou ter sido assinado, realmente o foi.”
O caso do Correio virou ponto de inflexão na imprensa, que deve ter o compromisso primordial com a verdade dos fatos, mesmo quando as versões parecem mais apetitosas. Cobertura não pode ser confundida com campanha, contra quem quer que seja. Quando isso acontece, o resultado tende a ser inverso ao pretendido, com corruptos e corruptores sendo absolvidos pela Justiça e pela opinião pública.
