Aprovado pelo Senado, o novo marco do licenciamento ambiental surge como resposta a esse desafio histórico
Por Patrícia Arantes de Paiva Medeiros*
O termo “Custo Brasil” é um velho conhecido de quem empreende, investe ou trabalha no setor produtivo nacional. Ele representa o conjunto de entraves burocráticos, tributários, logísticos e regulatórios que elevam o custo de fazer negócios no país, reduzindo a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes internacionais. Em 2025, estimativas do Movimento Brasil Competitivo (MBC) apontam que o Custo Brasil chega a R$ 1,7 trilhão ao ano, corroendo margens, travando investimentos e dificultando o crescimento sustentável da economia.
O Licenciamento Ambiental no centro do debate
Entre os principais gargalos do Custo Brasil está o licenciamento ambiental. O processo, até então regido por mais de 27 mil normas federais, estaduais e municipais, era marcado por excesso de burocracia, insegurança jurídica, sobreposição de exigências e prazos incompatíveis com a dinâmica produtiva. Não raro, a obtenção de uma licença ambiental podia levar mais de 2.000 dias no Brasil, enquanto países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) resolvem questões semelhantes em cerca de 240 dias.
Esse cenário impacta diretamente o agronegócio, a indústria e a infraestrutura, setores essenciais para o desenvolvimento nacional. Projetos estratégicos ficavam parados, investimentos eram adiados e o país perdia oportunidades de geração de emprego, renda e inovação.
O novo Marco do Licenciamento Ambiental: modernização e eficiência
Aprovado pelo Senado na semana passada, o novo marco do licenciamento ambiental (PL 2159/2021) surge como resposta a esse desafio histórico. Seu objetivo central é simplificar, padronizar e tornar mais ágil o processo de licenciamento, sem abrir mão da proteção ambiental. As principais inovações incluem:
Como o novo Licenciamento reduz o Custo Brasil
A modernização do licenciamento ambiental ataca pontos-chave do Custo Brasil:
Oportunidade para um novo ciclo de crescimento
O novo licenciamento ambiental não é apenas uma alteração de um processo administrativo, mas uma alavanca estratégica para reduzir o Custo Brasil, destravar investimentos e impulsionar o agronegócio brasileiro rumo a uma nova era de competitividade, inovação e sustentabilidade. Com regras claras, processos ágeis e respeito ao meio ambiente, o país se posiciona para crescer mais, gerar oportunidades e liderar a agenda global de produção sustentável de alimentos e energia.
*Patrícia Arantes de Paiva Medeiros é diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira. Advogada especializada no mercado agro global, mestre em Direito, Justiça e Impactos na Economia e autora do livro “Análise Econômica do Agronegócio: competitividade no mercado agropecuário global”. Também é conselheira da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) e do Ranking dos Políticos.
