Na mira de Trump: Citado com PCC, grupo de Ricardo Magro é 2º maior importador de diesel russo - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
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Na mira de Trump: Citado com PCC, grupo de Ricardo Magro é 2º maior importador de diesel russo

Maior sonegador do Brasil está no topo do ranking de importadores de diesel russo
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Por Claudio Dantas

As investigações da Operação Carbono Oculto revelaram que o esquema do PCC foi abastecido com combustível do grupo Refit (ex-Manguinhos), de Ricardo Magro. Embora o empresário negue qualquer relação com a organização criminosa, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo aponta “fortes conexões com todas as usinas sucroalcooleiras” do grupo de Mohamad Hussein Mourad, o primo, um dos chefões do crime.

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Segundo os promotores, o grupo comandado por Magro sucedeu a Copape/Aster, assumindo “papel central na estrutura de distribuição do mercado”. “Esta reorganização é vista como uma estratégia do grupo Mohamad para burlar proibições e ocultar as operações.” As dezenas de distribuidoras vinculadas à organização criminosa recebiam de Manguinhos, via Rodopedro, não só etanol, mas diesel.

O diesel de Manguinhos, por sua vez, é importado da Rússia. Não só. A refinaria de Magro, considerado o maior sonegador do país, é a segunda maior importadora do diesel russo; que, segundo os Estados Unidos e a Otan, vem financiando indiretamente a invasão militar ordenada por Vladimir Putin na Ucrânia. De janeiro a julho, foram quase 660 mil toneladas do combustível (entrar com a equivalência), apenas 13,5 mil toneladas a menos que a Vibra, ex-BR Distribuidora.

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A Rússia é o maior fornecedor de diesel do Brasil desde 2023, com importações que atingiram US$ 5,4 bilhões em 2024. Há dois meses, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, advertiu o governo brasileiro sobre sanções secundárias, inclusive militares, por apoiar indiretamente a guerra russa. Medidas adicionais também podem ser adotadas pela Casa Branca já nas próximas semanas. 

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MAGRO NO QUINTAL DE TRUMP

Ironicamente, Ricardo Magro comanda seu grupo empresarial de Miami, a cerca de 2 horas de distância do complexo de Mar-a-Lago, residência de veraneio de Donald Trump. Em sua mansão, o empresário costuma receber lobistas, parlamentares, caciques partidários e até integrantes do Judiciário.

O amigo do governador, do ministro e do meu pai

Em maio, Magro reuniu num evento em Nova York o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso; o governador do Rio, Claudio Castro; os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), além do deputado Doutor Luizinho (RJ), líder do Progressistas na Câmara.

Outra presença ilustra foi a do ministro do TCU Aroldo Cedraz, que fez um discurso elogioso ao empresário. Não era para menos, já que Aroldo é pai de Tiago Cedraz, que hoje representa os interesses do próprio dono da refinaria. Esses interesses envolveram, por exemplo, a nomeação de Daniel Maia, concunhado de Tiago, como diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Maia foi o relator do processo que levou à cassação da licença da Copape, permitindo que Manguinhos a substituísse no fornecimento de combustível para a rede de postos do PCC, conforme relato do Gaeco. Maia também esteve em Nova York. Apesar de convidados, os governadores Tarcísio de Freitas (SP) e Ronaldo Caiado (GO) preferiram não comparecer.

O evento da Refit, que acumula dívidas de R$ 19,1 bilhões em ICMS com São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, tinha como mote “estabilidade institucional e democracia”.

OUTRO LADO

Em nota, o Grupo FIT negou “veementemente que forneceu ou fornece combustíveis para distribuidoras que abastecem postos controlados por organizações criminosas ou que tenham relações com o crime”.

“Por meio de sua rígida política de compliance, o Grupo FIT monitora o percurso de todo combustível produzido em sua refinaria, desde o momento de transferência dos tanques de armazenamento até o destino final, na entrega nos postos. O acionista do Grupo Fit, Ricardo Magro, e seus executivos denunciam há algum tempo, às autoridades e à imprensa, a atuação de facções criminosas no setor de combustível. Tais denúncias culminaram, inclusive, no fechamento da Copape, ligada ao crime organizado, em julho de 2024. Por conta das denúncias que promove, o Grupo Fit vem sofrendo várias represálias, como incêndios em diversos postos de combustível que levam a marca Fit. Importante ressaltar que nenhuma empresa do Grupo Fit foi alvo da operação Carbono Oculto realizada na semana passada.”

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