O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou à Corte a abertura de processo para identificar autoridades públicas federais, incluindo procuradores e magistrados, que teriam participado de festas na casa de veraneio de Daniel Vorcaro, em Trancoso (BA).
Segundo documento, o envolvimento de autoridades com o dono do Banco Master pode representar risco sistêmico à confiança nas instituições públicas. “Esses eventos, denominados ‘Cine Trancoso’, teriam contado com a presença de altas autoridades dos Três Poderes da República, incluindo integrantes do Poder Executivo do governo anterior, membros do mercado financeiro, da política e do meio jurídico”, afirma o texto.
O pedido sustenta que a situação expõe possíveis irregularidades e impactos na administração pública, especialmente pelo eventual envolvimento de autoridades federais. De acordo com o documento, a credibilidade do Judiciário, do Executivo e de outras entidades públicas pode ser afetada, e a falta de apuração teria potencial de gerar efeitos relevantes.
“Reforço que a gravidade dos fatos narrados não pode ser subestimada. A possibilidade de envolvimento de autoridades de alta cúpula em eventos que podem estar relacionados a um escândalo financeiro de grandes proporções representa um risco sistêmico para a confiança nas instituições públicas”, conclui.
Entre as medidas solicitadas pelo MPTCU estão: a identificação das autoridades presentes; a verificação de eventual participação ou financiamento por órgãos federais; a avaliação de possíveis consequências financeiras ou administrativas para instituições como o Banco do Brasil, o BRB e o BNDES; a adoção de medida cautelar para garantir a apuração dos fatos e evitar dissipação de provas; e, ao final, o envio dos resultados ao presidente do Congresso para as providências cabíveis.
A solicitação do órgão cita reportagem da revista Liberta e matéria do jornal Folha de S.Paulo, veiculada em setembro de 2025. Ambas detalham episódios ocorridos no litoral baiano.
