MP pede que TCU apure abusos do STF em inquéritos
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

MP pede que TCU apure abusos do STF em inquéritos

Representação questiona abertura de investigações pelo Supremo e aponta possível usurpação de competências

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), foi sorteado relator de uma representação do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) que pede a apuração de possíveis abusos do Supremo Tribunal Federal (STF) na instauração de inquéritos de ofício.

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A iniciativa é do subprocurador-geral Lucas Furtado. No documento, ele sustenta que pode haver “interpretação equivocada” do regimento interno do STF no trecho que prevê que, “ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal, o presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou pessoa sujeita à sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro ministro.”

Segundo a representação, esse dispositivo tem sido utilizado para fundamentar a abertura de investigações pelo próprio Supremo, entre elas o chamado inquérito das fake news, em curso há sete anos.

Questionamentos sobre competências

O pedido menciona críticas recentes relacionadas à determinação do ministro Alexandre de Moraes para investigar servidores da Receita Federal, acusados de acessar dados de ministros e familiares. Na ocasião, o Supremo divulgou os nomes dos investigados ao anunciar medidas cautelares.

Após críticas públicas à decisão, o presidente da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber Cabral, foi intimado a prestar depoimento.

O MPTCU afirma que há indícios de possível violação ao sistema de freios e contrapesos. O documento aponta a hipótese de que o STF possa estar “usurpando competências do Ministério Público e de outras instituições”.

Pedido de auditoria

Por tramitar no âmbito de uma Corte de contas, a representação também solicita auditoria para avaliar eventuais “impactos administrativos e financeiros decorrentes da atuação de ofício do STF”.

O processo está em fase inicial. Caberá ao relator analisar o pedido e decidir se determina ou não a realização de auditoria.

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