Motta diz que redução da jornada exige consenso
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Motta diz que redução da jornada exige consenso

Presidente da Câmara afirma que discussão sobre redução da jornada precisa envolver governo e setor produtivo

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou hoje (17) que o Congresso pretende ampliar o debate sobre a proposta de redução da jornada de trabalho no país e reforçou apoio à agenda econômica defendida pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE). A declaração foi feita durante evento da frente parlamentar que apresentou suas prioridades legislativas para 2026.

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Motta disse que a Câmara manterá diálogo permanente com o setor produtivo e destacou que a presidência da Casa tem mantido as portas abertas para as demandas da frente. “Temos um respeito muito grande por essa frente parlamentar. Ainda antes de me tornar presidente, tive a oportunidade de debater projetos importantes com seus integrantes”, afirmou.

Segundo ele, o relacionamento com a FPE continuará próximo durante sua gestão. O parlamentar lembrou encontros com representantes do setor produtivo em diferentes ocasiões e disse que pretende manter o diálogo sobre temas ligados à economia e ao ambiente de negócios.

Ao comentar a proposta conhecida como “PEC 6×1”, que trata da redução da jornada semanal de trabalho, Motta afirmou que a escolha de discutir o tema por meio de proposta de emenda à Constituição foi deliberada para permitir um debate mais amplo no Congresso.

“Essa é uma matéria que tem impacto e precisa ser debatida ouvindo a todos”, disse. Segundo o presidente da Câmara, a tramitação em formato de PEC permitirá discussão nas comissões e maior espaço para negociação política. “Isso obriga todos os interessados a encontrar convergência. Se isso não acontecer, dificilmente a proposta será aprovada.”

Motta afirmou que existe um movimento legítimo de trabalhadores interessados na redução da jornada, mas destacou que o debate precisa considerar os efeitos econômicos da medida. “Temos a classe trabalhadora querendo discutir a redução da jornada. O que precisamos entender é como o país vai absorver essa mudança”, afirmou.

Durante o evento, o presidente da Câmara também comentou a discussão sobre o trabalho em feriados e domingos, tema que mobiliza o setor empresarial e está entre as prioridades da Frente do Empreendedorismo. Motta disse que a Câmara tem acompanhado a questão e que pretende colaborar com a tramitação do projeto que susta regras do Ministério do Trabalho sobre o tema.

“Sabemos que essa possibilidade já é exercida na prática por trabalhadores, sindicatos e empregadores. A Câmara seguirá discutindo o tema para ajudar a encontrar uma solução”, afirmou.

O parlamentar também mencionou o debate recente sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo ele, o Congresso enfrentou o tema ao derrubar um decreto do governo que ampliava a cobrança, embora parte da decisão tenha sido posteriormente revista pelo Supremo Tribunal Federal.

Motta afirmou que o Legislativo conseguiu retirar da medida a incidência do tributo sobre o chamado “risco sacado”, modalidade de crédito usada por empresas. Ele também cobrou maior mobilização do setor produtivo na defesa das decisões do Congresso.

“Faltou uma explicação melhor à sociedade do papel que o Congresso cumpriu naquela época”, disse. Segundo ele, a narrativa pública acabou sugerindo que o Legislativo buscava beneficiar grupos mais ricos. “Quando se aumenta imposto, todo mundo paga essa conta, principalmente quem tem menos.”

O presidente da Câmara também citou discussões em andamento sobre o imposto seletivo previsto na reforma tributária. Segundo ele, o governo ainda avalia se enviará um projeto de lei ou uma medida provisória para definir as alíquotas do tributo.

De acordo com Motta, a expectativa é que o tema seja debatido com os setores afetados antes da votação no Congresso. “Estamos atentos desde o começo do ano para evitar que essa questão impacte negativamente a economia”, afirmou.

No campo institucional, o deputado também voltou a defender a retomada da reforma administrativa. Para ele, o objetivo da proposta não é atingir servidores públicos, mas aumentar a eficiência da máquina estatal.

“O debate não pode ser de perseguição ao servidor. A discussão precisa ser sobre eficiência da máquina pública”, afirmou. Segundo Motta, o Estado brasileiro precisa reduzir custos e melhorar a entrega de serviços essenciais. “A população paga uma das maiores cargas tributárias do mundo e precisa receber serviços de qualidade.”

A agenda discutida no encontro da FPE inclui projetos voltados ao ambiente de negócios, como a ampliação do limite de faturamento do MEI e do Simples Nacional, mudanças na regulamentação tributária e medidas para fortalecer a competitividade econômica.

Entre as propostas destacadas pela frente estão ainda a reabertura de programas de regularização tributária, alterações nas regras de combustíveis e iniciativas para combater a infiltração de organizações criminosas na economia.

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