Motta admite rediscussão da “taxa das blusinhas”, mas descarta revogação total
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Motta admite rediscussão da “taxa das blusinhas”, mas descarta revogação total

Presidente da Câmara diz que tema pode voltar à pauta, com análise de impacto fiscal e diálogo com setores

Para Hugo Motta, o momento é de concentrar esforços em uma agenda considerada estruturante para a área de segurança pública. Fonte: Marina Ramos / Câmara dos Deputados.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou hoje (17) que a revogação da chamada “taxa das blusinhas” pode voltar a ser discutida pela Casa, mas que uma suspensão total do tributo não deve ocorrer.

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A possibilidade é considerada pelo Palácio do Planalto como medida para tentar elevar a popularidade do Lula às vésperas do início da campanha eleitoral.

A taxa corresponde a um imposto de importação de 20% sobre compras no exterior de até US$ 50. A cobrança foi aprovada pelo Congresso com votos da base governista e da oposição e sancionada pelo presidente após acordo com o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

“É importante ouvir a justificativa do governo, já que essa medida traria também um impacto fiscal nas contas públicas, já que há um aumento da arrecadação com essa taxação, saber se o Orçamento deste ano suporta uma possível revogação dessas taxas. Tenho total disposição de dialogar. A Câmara sempre é muito simpática a reduzir impostos”, afirmou.

Motta disse que tomou conhecimento da intenção do governo após entrevista do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e que irá ouvir lideranças partidárias antes de avançar no tema.

Segundo o deputado, a taxação foi aprovada para proteger o comércio nacional diante da concorrência de varejistas estrangeiras. Ele afirmou que a medida também gerou desgaste político ao governo, conforme apontam pesquisas recentes.

Apesar de sinalizar abertura ao diálogo, Motta indicou que a revogação integral não deve prosperar e que será necessário discutir um modelo alternativo.

“Vamos sempre procurar nessas decisões ouvir a todos, ouvir o setor produtivo, ouvir os representantes dos consumidores da sociedade brasileira e ouvir, claro, as lideranças partidárias para poder ver a possibilidade de se avançar ou não na revogação dessas taxas. Essa medida pode trazer um impacto nas contas públicas”, declarou.

O tema está na pauta de reunião entre Motta e Guimarães. Também será discutido o projeto enviado pelo governo sobre a jornada de trabalho 6×1, que deve tramitar por meio de Proposta de Emenda à Constituição.

A taxa gerou arrecadação de R$ 5 bilhões no último ano. Em 2026, foram R$ 1,2 bilhão entre janeiro e março, segundo dados da Receita Federal. A tributação inclui 20% de imposto de importação e 17% de ICMS.

No início do mês, entidades da indústria e do comércio divulgaram manifesto em defesa da manutenção da cobrança. O documento afirma que a medida contribuiu para geração de empregos e aumento de investimentos.

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