Moraes cita caminhada de Nikolas ao proibir manifestações na Papuda
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes cita caminhada de Nikolas ao proibir manifestações na Papuda

Final da caravana ocorrerá a mais de 30km do presídio

A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou risco à ordem pública e à segurança do sistema prisional. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

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Por Redação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (23) a proibição de manifestações e a retirada imediata de acampamentos nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, incluindo a área do Núcleo de Custódia da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena em regime fechado.

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A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou risco à ordem pública e à segurança do sistema prisional após a instalação de barracas, faixas e atos organizados por apoiadores do ex-presidente.

Segundo a PGR, os manifestantes passaram a ocupar o local com pedidos de anistia e liberdade para Bolsonaro, além de divulgar imagens e vídeos da mobilização nas redes sociais.

Moraes determinou que pessoas que já estejam no local sejam retiradas imediatamente e autorizou a prisão em flagrante de quem resistir à ordem ou insistir em permanecer na área. A Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada para cumprir a decisão, com reforço da vigilância no entorno da penitenciária.

Na decisão, o ministro afirmou que os direitos de reunião e de livre manifestação não são absolutos e encontram limites quando utilizados de forma abusiva ou com potencial de comprometer a segurança pública, a execução penal e o funcionamento das instituições democráticas.

“O exercício dos direitos de reunião e manifestação não pode ser confundido com o propósito de repetir ilegais e golpistas acampamentos realizados em frente a quartéis do Exército, que culminaram na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023”, escreveu Moraes.

A PGR também citou a convocação da chamada “Caminhada da Paz”, anunciada por parlamentares aliados de Bolsonaro, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Segundo a procuradoria, a mobilização teria como objetivo protestar contra decisões do STF e mobilizar apoiadores em Brasília nos próximos dias.

O ato, no entanto, está previsto para acontecer na Praça do Cruzeiro no domingo (25), cerca de 6 km de distância da Praça dos Três Poderes. Ao Portal Metrópoles, Nikolas afirmou que preferiu não passar pela Papuda.

Para Moraes, a presença de manifestantes em área sensível próxima a uma penitenciária de segurança máxima — por onde circulam escoltas de presos e autoridades — representa um risco concreto à tranquilidade social e à integridade do sistema prisional. O ministro destacou que situações semelhantes, no passado recente, contribuíram para a escalada de atos antidemocráticos.

“O Estado Democrático de Direito é inegociável”, afirmou o ministro, ao citar que a omissão de autoridades diante de acampamentos ilegais foi um dos fatores que antecederam os ataques de 8 de janeiro.

Na decisão, Moraes lembrou que o STF já responsabilizou 1.399 pessoas pelos atos de 8 de janeiro, incluindo integrantes dos núcleos centrais da organização criminosa, condenados por crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Ao final, o ministro determinou a notificação imediata das secretarias de Segurança Pública e de Administração Penitenciária do Distrito Federal, além da Polícia Federal, para assegurar o cumprimento da ordem.

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