Moraes pede parecer da PGR sobre transferência de Filipe Martins
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Moraes pede parecer da PGR sobre transferência de Filipe Martins

Polícia Penal do Paraná sugere retorno do ex-assessor ao Complexo Médico Penal

Moraes mantém prisão preventiva de Filipe Martins
Foto: Divulgação

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Por Redação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um pedido da Polícia Penal do Paraná que solicita a reavaliação da unidade responsável pela custódia de Filipe Martins. A manifestação foi determinada nesta terça-feira (10).

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No documento encaminhado ao Supremo, a corporação sugere que o ex-assessor internacional da Presidência da República seja transferido novamente para o Complexo Médico Penal (CMP), na região metropolitana de Curitiba.

A análise ocorre poucos dias após Moraes negar um recurso da defesa de Martins e manter a decisão que determinou seu retorno à Cadeia Pública de Ponta Grossa (PR). A decisão foi proferida na última sexta-feira (6).

Filipe Martins atuou como assessor para Assuntos Internacionais da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão no processo que apura a atuação de um grupo apontado pela investigação como responsável pela articulação de uma suposta tentativa de golpe entre 2022 e 2023.

A prisão preventiva foi decretada por Moraes em 31 de dezembro do ano passado, após a divulgação de informações de que Martins teria acessado a rede social LinkedIn para pesquisar perfis de terceiros, o que foi interpretado como possível descumprimento de medidas cautelares.

A ordem de prisão foi cumprida em 2 de janeiro, quando Martins foi levado para a Cadeia Pública de Ponta Grossa. Dias depois, a Coordenação Regional da unidade solicitou administrativamente a transferência do detento para outra unidade considerada mais adequada ao seu perfil.

Com base nessa avaliação, a Polícia Penal do Paraná autorizou a transferência para o Complexo Médico Penal em 6 de janeiro. O órgão considerou, entre outros fatores, o histórico de Martins no exercício de função pública, o que poderia representar risco adicional em unidades com grande circulação de presos.

Posteriormente, em 28 de fevereiro, Moraes determinou que o ex-assessor retornasse à Cadeia Pública de Ponta Grossa. A defesa apresentou recurso contra a decisão, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro.

Na mesma decisão, Moraes solicitou que a unidade prisional enviasse informações atualizadas ao Supremo sobre as condições de cumprimento da pena. A Polícia Penal respondeu com uma análise técnica detalhando aspectos de segurança e funcionamento do sistema penitenciário.

Segundo o relatório, a Casa de Custódia de Ponta Grossa é destinada principalmente à permanência de presos provisórios e funciona como unidade de triagem no sistema estadual, o que gera alto fluxo de entrada e saída de detentos.

O documento também aponta que a unidade opera com cerca de 912 custodiados para uma capacidade de 592 vagas. De acordo com a avaliação, a rotatividade elevada e a superlotação podem dificultar a adoção de protocolos de segurança mais rigorosos.

A Polícia Penal destacou ainda que o caso possui repercussão pública, o que, na análise da corporação, poderia aumentar a vulnerabilidade do detento.

O relatório também menciona que o Complexo Médico Penal possui estrutura considerada mais adequada para a gestão de segurança e logística, além de registrar que Martins permaneceu anteriormente na unidade sem ocorrência disciplinar.

Diante dessas conclusões, a corporação solicitou ao Supremo a reavaliação da unidade responsável pela custódia do ex-assessor e sugeriu sua eventual recondução ao Complexo Médico Penal. A decisão final dependerá da manifestação da Procuradoria-Geral da República e da análise do ministro relator.

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