Moraes libera julgamento sobre proibição de assistolia fetal
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes libera julgamento sobre proibição de assistolia fetal

STF vai analisar resolução do CFM após parecer da PGR favorável à norma

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Ministro Alexandre de Moraes. Foto: Victor Piemonte/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, liberou para julgamento a ação que trata da resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proíbe a assistolia fetal em gestações a partir de 22 semanas.

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A decisão ocorre após parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à retomada da norma. O caso será analisado pelo plenário da Corte nas próximas semanas.

Em maio de 2024, Moraes havia suspendido a resolução e também proibido a abertura de processos com base na norma. O ministro André Mendonça apresentou divergência à época.

Parecer da PGR

No parecer, Gonet afirmou que o CFM tem competência para tratar de questões éticas da medicina e que a resolução não é arbitrária.

O procurador destacou que o aborto em casos de estupro não é legalizado, mas apenas não punível, e que a legislação não obriga a realização de procedimentos específicos.

Segundo ele, não há previsão legal para a prática da assistolia fetal após 22 semanas.

Procedimento e debate

A assistolia fetal consiste na aplicação de substâncias diretamente no coração do feto para interromper os batimentos antes da interrupção da gravidez.

O tema chegou ao STF após questionamento do PSOL contra a resolução do CFM.

O relator da norma no conselho, Raphael Câmara, defendeu a retomada da regra.

“Ficamos mais de um ano com essa resolução suspensa, vendo bebês de sete, oito, nove meses morrendo por um método bárbaro”, afirmou.

Próximos passos

Com a liberação do processo, o STF deverá julgar o mérito da ação em plenário.

A decisão final irá definir a validade da resolução e os limites para o procedimento no país.

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