O Brasil caiu seis posições e agora ocupa a 57ª colocação no Índice de Democracia 2024, publicado pela Economist Intelligence Unit (EIU), divisão de pesquisa da revista britânica The Economist. O país estava na 51ª posição em 2023 e obteve uma pontuação de 6,49 neste ano.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsAppEntre os fatores que motivaram a queda, o relatório destaca a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de censurar e bloquear a rede social X no Brasil em agosto de 2024. De acordo com o estudo, a elevada polarização política no Brasil resultou na politização das instituições e no aumento da violência política.
A pesquisa também menciona a atuação do STF desde 2019 em investigações sobre suposta “desinformação” e “ameaças” aos ministros da Corte, classificando algumas dessas ações como “controversas”.
Para os analistas da The Economist, a suspensão do X durante parte da campanha eleitoral “não tem paralelo nos países democráticos” e representa uma “censura que ultrapassou os limites razoáveis da liberdade de expressão”.
No relatório, a EIU alerta que restringir discursos com base em definições vagas pode comprometer a imparcialidade do Judiciário e impactar a liberdade política: “Tornar ilegal um determinado discurso, sem critérios claros, abre precedentes para censura judicial, o que poderia influenciar os resultados políticos”.
Outro fator que pesou na piora do índice brasileiro foram os avanços na investigação da Polícia Federal (PF) sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. O estudo aponta que os desdobramentos revelam a persistência de uma relação frágil das Forças Armadas do Brasil com o respeito às normas democráticas.
O Índice de Democracia da Economist Intelligence Unit avalia os países com base em 5 categorias: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis.
Os países são classificados em quatro tipos de regime: Democracia plena (pontuação superior a 8); Democracia imperfeita (entre 6 e 8); Regime híbrido (entre 4 e 6); Regime autoritário (abaixo de 4).
O ranking deste ano é liderado pela Noruega, com uma pontuação de 9,81, seguida pela Nova Zelândia (9,61) e Suécia (9,39).
Com o resultado deste ano, o Brasil continua classificado como uma “democracia imperfeita”.
