Moraes aciona EUA para notificar Paulo Figueiredo em processo por golpe de Estado
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes aciona EUA para notificar Paulo Figueiredo em processo por golpe de Estado

Moraes autoriza Bolsonaro a dar entrevista

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ministro deu 15 dias para o jornalista apresentar defesa prévia; notificação será feita por carta rogatória

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (23) que o jornalista e empresário Paulo Figueiredo seja notificado por carta rogatória sobre a denúncia por suposta tentativa de golpe de Estado. Ele terá 15 dias para apresentar sua defesa prévia.

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Figueiredo é um dos 34 denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Morando nos Estados Unidos, o jornalista ainda não havia sido notificado. A carta rogatória é um instrumento de cooperação jurídica internacional, por meio do qual um tribunal solicita a outro país a execução de um ato processual fora de sua jurisdição.

LEIA AQUI A ÍNTEGRA DA DECISÃO

“Determino, para apresentação de defesa prévia no prazo de 15 dias, a notificação por carta rogatória de Paulo Renato de Oliveira Figueiredo, ficando suspensa a prescrição até sua efetivação”, escreveu Moraes na decisão.

O ministro afirmou que a suspensão da prescrição é justificada, pois o envio da carta rogatória “não representa inércia estatal, mas sim a atuação diligente do Poder Judiciário”.

Paulo Figueiredo
Paulo Figueiredo. Foto: Reprodução/YouTube @PauloFigueiredoShow

A PGR dividiu a denúncia em cinco núcleos. Figueiredo é o único integrante do quinto, separado dos demais por residir no exterior. A 1ª Turma do STF já analisou quatro núcleos e tornou 31 investigados réus. Quinze deles, ligados aos grupos 1 e 4, já foram condenados.

Entre os crimes atribuídos a Figueiredo estão organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e deterioração de patrimônio tombado.

O caso se arrasta desde fevereiro. Na época, a PGR informou que não conseguiu notificá-lo por não localizar seu endereço. Moraes chegou a determinar a notificação por edital e designou a Defensoria Pública da União (DPU) para representá-lo. A DPU pediu a suspensão do processo, mas o ministro negou, alegando que Figueiredo já tinha “ciência inequívoca” da acusação, com base em vídeos publicados por ele nas redes sociais.

Na quarta-feira (22), a defesa solicitou que a notificação fosse feita por carta rogatória — pedido agora aceito por Moraes.

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