Ministros do STF suspeitam que Toffoli gravou reunião do caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Ministros do STF suspeitam que Toffoli gravou reunião do caso Master

Divulgação de diálogos internos provoca quebra de confiança e aumenta tensão na Corte

O ministro negou qualquer participação. Foto: Rosinei Coutinho/STF

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Por Redação

Uma sessão reservada do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na última quinta-feira (12) para deliberar sobre a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do processo envolvendo o Banco Master, desencadeou uma crise interna sem precedentes na Corte.

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Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, ministros passaram a suspeitar que o encontro teria sido gravado sem autorização — e que o próprio Toffoli poderia ter feito o registro.

O conteúdo da reunião veio a público por meio de reportagem do site Poder360, que divulgou trechos literais das falas de diversos magistrados. A fidelidade das transcrições levantou, entre integrantes do tribunal, a convicção de que houve gravação do encontro, classificado como sigiloso.

Segundo relatos feitos, ministros encaminharam a reportagem a Toffoli, apontando que a precisão do material indicaria a existência de um registro de áudio. O ministro negou qualquer participação. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirmou. Ele também aventou a hipótese de que algum servidor da área de tecnologia possa ter captado o conteúdo.

A revelação gerou desconforto generalizado. Magistrados ouvidos descrevem o episódio como inédito e afirmam que a eventual gravação, se confirmada, representa quebra de confiança entre membros da Corte. Também questionam o recorte das declarações tornadas públicas, sustentando que apenas trechos favoráveis a Toffoli foram divulgados, sem refletir a totalidade e a complexidade do debate.

Divulgação

A reportagem aponta que a reunião teve forte componente político e que houve manifestações de apoio a Toffoli, além de críticas à atuação da Polícia Federal, responsável pelo relatório encaminhado ao presidente da Corte que resultou na mudança de relatoria.

Entre as falas divulgadas, Gilmar Mendes teria sugerido que decisões de Toffoli contrariaram interesses da PF, indicando possível reação institucional. Cármen Lúcia, embora tenha declarado “confiança” no colega, defendeu que era preciso “pensar na institucionalidade” diante do desgaste público do Supremo.

Luiz Fux afirmou que Toffoli “tem fé pública” e declarou apoio direto ao ministro. Nunes Marques classificou o caso como “um nada jurídico” e criticou a possibilidade de votação sobre suspeição. André Mendonça também saiu em defesa do colega, dizendo que as alegações apresentadas “não existem”.

Outros ministros questionaram a consistência do relatório da PF. Flávio Dino chamou o documento de “lixo jurídico” e afirmou que a crise tinha dimensão política. Cristiano Zanin avaliou que os elementos apresentados seriam frágeis.

Apesar das manifestações de apoio registradas, a maioria concluiu que o afastamento de Toffoli da relatoria seria o melhor caminho para preservar a imagem institucional do STF.

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