STF negociou saída de Toffoli para evitar confronto público
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

STF negociou saída de Toffoli para evitar confronto público

Maioria apoiava permanência, mas acordo político interno resultou na troca da relatoria

Ministro Dias Toffoli presidindo a sessão da 2ª Turma do STF

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Por Redação

A pressão política dentro do Supremo Tribunal Federal levou à retirada de Dias Toffoli da relatoria do processo envolvendo o Banco Master. O ministro tinha apoio de oito colegas para permanecer no caso, enquanto apenas o presidente da Corte, Edson Fachin, e Cármen Lúcia sinalizavam posição contrária. Ainda assim, prevaleceu um acordo interno para evitar divisão pública na instituição.

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A solução foi proposta por Flávio Dino: divulgação de uma nota institucional em defesa de Toffoli, acompanhada da redistribuição do processo. O próprio ministro aceitou deixar a relatoria, que passou a André Mendonça, encerrando o impasse antes que o tema fosse levado ao plenário. As informações foram antecipadas pelo portal Poder360 e confirmadas por este site.

Antes da reunião ampliada, um grupo menor de ministros discutiu o assunto reservadamente. Toffoli avisou que recorreria caso fosse declarado suspeito. Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes anteciparam voto favorável ao colega e criticaram a investigação sem autorização judicial. Cármen Lúcia afirmou que precisava analisar o material, e Fachin defendeu que a questão fosse decidida formalmente.

O caso ganhou tensão após a Polícia Federal entregar relatório com cerca de 200 páginas apontando possível suspeição do relator na investigação sobre a quebra do banco, que gerou prejuízo bilionário ao Fundo Garantidor de Créditos. A possibilidade de julgamento aberto exporia divergências internas do tribunal.

No encontro com todos os ministros, Toffoli negou irregularidades pessoais e classificou o relatório policial como ilegal. Parte da Corte sustentou que eventual investigação sem autorização poderia anular provas. Nunes Marques disse não haver base jurídica para afastamento e Luiz Fux declarou confiar na palavra do ministro.

Outros magistrados apontaram preocupação institucional. Cármen Lúcia avaliou que a crise afetava a imagem do tribunal e pediu solução rápida. André Mendonça reconheceu desgaste político, mas considerou frágeis os elementos apresentados. Cristiano Zanin também apontou possível nulidade das provas.

Flávio Dino afirmou que a controvérsia era política e sugeriu resolver administrativamente. Com maioria garantida, Toffoli aceitou sair da relatoria para encerrar a crise. Fachin concordou com o encaminhamento e o caso foi redistribuído.

A avaliação interna é de que a medida reduz a pressão sobre o Supremo e evita questionamentos futuros sobre decisões já tomadas no processo.

Veja o que disse cada ministro do STF em reunião com Toffoli, segundo o Poder 360:

Gilmar Mendes: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”.

Carmén Lúcia: “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. Disse ainda que, apesar de ter “confiança” em Toffoli, era necessário “pensar na institucionalidade”.

Luiz Fux: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”.

Nunes Marques: “Para mim, isso é um nada jurídico. Isso é um absurdo: o juiz lá do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil. O Fachin não pode colocar em votação a arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente. Mas estou falando mais sobre encaminhamento, pois do mérito eu não tenho dúvida”

André Mendonça: “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli”. Em seguida: “Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado”

Cristiano Zanin: “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares? Isso aqui tudo é nulo”.

Flávio Dino: “Essas 200 páginas [de relatório da PF] para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente [Fachin]. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”.

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