Ministério de Portos tenta incluir empresa dos irmãos Batista em leilão de hidrovia
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Ministério de Portos tenta incluir empresa dos irmãos Batista em leilão de hidrovia

A empresa vencedora poderá cobrar tarifas dos usuários para garantir a prestação de serviços obrigatórios. Foto: Reprodução.

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Por Redação

Antaq mantém veto à LHG Mining, citando risco de conflito de interesses

O Ministério de Portos e Aeroportos entrou em um impasse com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) ao tentar inserir a LHG Mining, controlada pelo grupo J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista, no leilão de concessão da hidrovia do rio Paraguai.

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A agência reguladora havia vetado a participação da mineradora, citando risco de conflito de interesses e possibilidade de favorecimento, uma vez que a LHG é uma das maiores usuárias da rota fluvial. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

A hidrovia, com 600 quilômetros de extensão e papel estratégico no escoamento de grãos do Centro-Oeste, integra ainda a bacia do Prata, na fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia. O projeto de concessão tem duração de 15 anos e exige investimento de R$ 63,7 milhões para transferência da operação do rio a uma empresa privada. Atualmente, a via movimenta cerca de 9 milhões de toneladas por ano, com previsão de alcançar 15 milhões.

A empresa vencedora poderá cobrar tarifas dos usuários para garantir a prestação de serviços obrigatórios, como manutenção da calha, fiscalização, segurança e sinalização.

Em setembro, a Antaq encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU) a minuta do leilão, estabelecendo que a LHG não poderia participar. Inicialmente, o Ministério de Portos acatou a recomendação da agência, mas, posteriormente, ao chegar ao TCU, mudou de posição e defendeu a inclusão da mineradora, alegando que a decisão se baseou em reflexões feitas após sondagens de mercado (“market sounding”).

A Antaq, entretanto, manteve o veto e reforçou ao TCU que alterações sugeridas pelo ministério só teriam efeito se fossem implementadas pela própria agência.

“Manifestação divergente de Ministério Supervisor [Portos] não tem o condão de alterar decisão de Agência Reguladora a ele vinculada”, declarou a Antaq em ofício.

A Procuradoria-Geral da agência acrescentou que cabe exclusivamente à Antaq definir regras de participação e condução das licitações de infraestrutura aquaviária, cabendo ao ministério apenas definir a política pública setorial.

O Ministério de Portos, por sua vez, afirmou que a proposta de leilão foi construída com base em estudos técnicos e passou por amplo processo de consulta social, recebendo 158 contribuições de usuários, prestadores de serviços, órgãos públicos e entidades representativas.

Segundo a pasta, a modelagem também foi analisada pelo Ministério da Fazenda, que avaliou os aspectos concorrenciais e regulatórios.

A Antaq destacou que sua atuação se restringe à regulação e fiscalização do transporte aquaviário e que divergências com o ministério são naturais desde que visem aprimorar o processo e garantir segurança jurídica à concessão.

O TCU deve retomar a análise do edital da hidrovia após 16 de janeiro, quando encerra o recesso. O processo é relatado pelo ministro Benjamin Zymler.

O grupo J&F não se manifestou sobre o episódio.

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