Parlamentar é acusado de usar vídeo falso para atacar ex-prefeito de BH
O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais apresentou nesta terça-feira (8) uma denúncia contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) por difamação e propaganda eleitoral irregular durante a campanha municipal de 2024 em Belo Horizonte.
O órgão pede à Justiça a suspensão dos direitos políticos do parlamentar, além de uma indenização por danos morais, a ser destinada a instituições de caridade indicadas pela família do ex-prefeito Fuad Noman.
A denúncia se baseia na veiculação de vídeos em que Nikolas e aliados acusaram Fuad, então candidato à reeleição, de ter escrito um “livro pornográfico”. A obra em questão, intitulada Cobiça, foi publicada por Fuad em 2020 e trata-se de um romance ficcional. Em um dos trechos destacados pelos denunciados, uma personagem relata um estupro coletivo sofrido na infância. O MP afirma que os parlamentares distorceram o contexto da cena e sugeriram que o ex-prefeito endossava crimes como os narrados no livro.
A Justiça Eleitoral já havia determinado, ainda em outubro de 2023, a retirada do vídeo das redes sociais, por entender que o conteúdo era descontextualizado e falso. Apesar da decisão, Nikolas manteve o vídeo no ar e voltou a divulgar as acusações. Para o MP, isso configura “dolo intenso e persistência na prática delitiva”, com o objetivo de desinformar o eleitorado às vésperas da eleição.
Além de Nikolas, também foram denunciados o deputado estadual Bruno Engler (PL-MG), que disputava a prefeitura de Belo Horizonte, a coronel Cláudia (PL-MG), vice na chapa, e a deputada estadual Delegada Sheila (PL-MG). Todos teriam reproduzido o mesmo conteúdo e intensificado os ataques contra Fuad.
Fuad Noman acabou reeleito em 2024, mas morreu em março de 2025. Caso a Justiça acate o pedido do Ministério Público, caberá à família do ex-prefeito indicar as instituições que receberão os valores da indenização por danos morais.
