Indicação do filho 01 frustra expectativa por Tarcísio
O Ibovespa recuou com força e o dólar avançou após a divulgação de que Jair Bolsonaro pretende lançar o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em 2026. A notícia, publicada pelo portal Metrópoles e confirmada pela imprensa, intensificou a queda da Bolsa por volta de 12h45 e derrubou o índice para a faixa dos 161 mil pontos, após ter tocado 165 mil pela manhã. Às 16h08, o recuo era de 3,45%, enquanto dólar e DIs registravam alta firme.

Segundo operadores consultados pela Reuters, a reação negativa reflete a avaliação de que a possível candidatura altera o tabuleiro político e amplia incertezas sobre a sucessão presidencial. A percepção inicial é de que o movimento reduz a previsibilidade para 2026, especialmente entre agentes que contavam com a consolidação de um nome considerado moderado no campo da direita.
Nos bastidores do mercado, a indicação foi tratada pelo BTG Pactual como um “balão de ensaio”, usado para medir reações internas e externas. A interpretação predominante é que o gesto tem como objetivo fortalecer Flávio Bolsonaro nacionalmente, sem representar, neste momento, uma decisão definitiva. Também não há expectativa de desmentido formal, já que a sinalização serve como recado político ao PL e aos aliados.
Analistas apontam que, no entorno do ex-presidente, cresce o receio de que um nome considerado fraco abra caminho para a reeleição de Lula. Esse cálculo atinge diretamente o governador Tarcísio de Freitas, que vinha sendo visto por parte do mercado como opção competitiva. O episódio cria ruído para Tarcísio e aumenta a percepção de insegurança, já que sua projeção nacional depende do aval de Bolsonaro.
A leitura é que qualquer definição concreta sobre a candidatura bolsonarista só deve ocorrer no primeiro trimestre de 2026, após reorganização interna do PL e maior clareza sobre o quadro eleitoral.
O movimento local ocorreu mesmo com bolsas americanas em alta, impulsionadas por dados do PCE em linha com o esperado. Já no câmbio, o dólar subiu mais de 2% diante da piora no sentimento doméstico, apesar das quedas da moeda no exterior. Profissionais lembram que dezembro costuma pressionar a demanda por dólar devido às remessas de lucros ao exterior.
A reação reforça a sensibilidade do mercado a sinais sobre a disputa presidencial. O ambiente continua condicionado à definição do nome que representará o campo bolsonarista contra Lula em 2026 — tema que segue aberto e sem consenso.
