Dirigente do PSD afirma que vai apoiar governador em 2026, mas critica aproximação com o bolsonarismo
O secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) “exagerou um pouco” ao se vincular publicamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendeu que ele adote uma postura de centro-direita caso decida disputar a Presidência da República em 2026.
A declaração foi dada nesta segunda (1º), durante um evento promovido pela Arko Advice em parceria com a Galapagos Capital, em São Paulo. Segundo Kassab, Tarcísio não deve se apresentar como um candidato bolsonarista, mas como um líder com perfil próprio.
“Ele não pode se apresentar como bolsonarista. Ele tem que ser um líder acima de tudo, e vai se apresentar”, afirmou.
Mesmo com a crítica, Kassab garantiu que o PSD apoia o governador como “plano A” para a disputa presidencial do ano que vem. No entanto, caso Tarcísio opte por tentar a reeleição ao governo paulista, o partido já avalia outras possibilidades, como Ratinho Junior, governador do Paraná, e, em menor grau, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Nos últimos meses, Tarcísio intensificou gestos de lealdade a Bolsonaro, inclusive defendendo publicamente a anistia e o indulto ao ex-presidente, que está preso após condenação por tentativa de golpe de Estado. Além disso, tem adotado um discurso de linha dura na segurança pública, chegando a defender até mesmo a prisão perpétua para criminosos no Brasil.
Kassab também sinalizou um distanciamento do PSD do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de o partido ocupar atualmente três ministérios. Durante o evento, ele criticou o aumento da carga tributária e alertou que o país pode enfrentar uma “explosão das contas públicas” em dois ou três anos caso não haja controle sobre os gastos.
Outro ponto abordado por Kassab foi a defesa do voto distrital. Para ele, a implementação do modelo ajudaria a aproximar a população de seus representantes e ampliaria a fiscalização dos eleitores sobre os políticos eleitos. O tema está em discussão na Câmara dos Deputados.
Caso Tarcísio confirme a candidatura ao Palácio do Planalto, ele terá que renunciar ao cargo até abril do ano eleitoral. Nesse cenário, quem assume o governo paulista é o atual vice, Felício Ramuth (PSD), que também é visto como um nome possível para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes.
