A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, presidiu nesta segunda-feira (2) uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas. É a primeira vez, nos 80 anos de história da organização, que o cônjuge de um chefe de Estado em exercício assume a condução de uma sessão do órgão.
O encontro marcou o início da presidência rotativa mensal dos Estados Unidos no colegiado, formado por 15 países. Durante esse período, Washington é responsável por definir a agenda e organizar os debates.
A sessão teve como tema “Crianças, Tecnologia e Educação em Situação de Conflitos”. Em seu discurso, Melania afirmou que a educação deve ser tratada como ferramenta estratégica para promover estabilidade e reduzir impactos da violência sobre crianças e adolescentes.
“Uma nação que valoriza o aprendizado protege seu futuro”, declarou. Segundo a primeira-dama, o acesso ao conhecimento fortalece valores como tolerância, empatia e responsabilidade social.
Alertas da ONU sobre proteção infantil
A primeira intervenção da reunião foi feita pela subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo. Ela afirmou que a maneira mais eficaz de proteger crianças é prevenir e encerrar conflitos armados.
DiCarlo defendeu que políticas de educação digital incluam mecanismos de proteção desde a fase de planejamento até a execução. Também pediu o fortalecimento de marcos legais para garantir direitos de crianças no ambiente online, em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos.
Segundo dados apresentados na sessão, uma em cada cinco crianças no mundo vive em área de conflito ou está deslocada por causa da violência, o que representa cerca de 473 milhões de menores. Relatórios recentes indicam aumento de 25% nas violações graves contra crianças entre 2023 e 2024. Casos de estupro e outras formas de violência sexual cresceram 35% no mesmo período.
Além disso, a ONU registrou queda de 24% nos recursos destinados à educação em emergências, apesar do aumento das demandas humanitárias.
Conectividade e desigualdade digital
Melania destacou a importância da ampliação da conectividade, inclusive em regiões remotas. De acordo com números citados no encontro, cerca de 6 bilhões de pessoas, aproximadamente 70% da população mundial, utilizam dispositivos móveis com acesso à internet.
Para a primeira-dama, a cooperação entre países pode reduzir a desigualdade tecnológica e ampliar oportunidades educacionais. Ela também defendeu que o acesso à tecnologia esteja integrado a políticas que garantam segurança alimentar, água potável, abrigo e atendimento em saúde.
