O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou, nesta terça-feira (7), uma proposta que abriria caminho para o uso da força com o objetivo de proteger a navegação no Estreito de Ormuz.
A medida foi barrada após vetos de China e Rússia, ambos membros permanentes do colegiado.
O texto, apresentado pelo Bahrein, previa a autorização para que países adotassem ações consideradas “necessárias e proporcionais” para garantir a segurança marítima na região por um período inicial de seis meses. A proposta recebeu apoio majoritário, mas acabou inviabilizada pelo mecanismo de veto, que permite a qualquer membro permanente bloquear resoluções.
A iniciativa surgiu em resposta ao agravamento das tensões envolvendo o Irã, que restringiu a passagem no estreito em meio ao conflito com Israel e os Estados Unidos. A área é considerada um dos principais corredores energéticos do mundo, responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do petróleo global.
Mesmo após ajustes no texto para suavizar o caráter impositivo da medida, Pequim e Moscou mantiveram posição contrária. Representantes dos dois países criticaram o teor da proposta e indicaram que pretendem apresentar uma alternativa diplomática para lidar com a crise.
A delegação chinesa argumentou que o uso da força poderia agravar ainda mais o cenário regional, defendendo soluções políticas para a reabertura da rota marítima. Já a Rússia avaliou que o texto apresentava desequilíbrios ao tratar das responsabilidades no conflito, apontando falta de neutralidade na redação.
A França, que inicialmente demonstrava resistência, acabou apoiando a versão final após negociações. Ainda assim, o apoio não foi suficiente para evitar o bloqueio.
Escalada e impacto global
A votação ocorreu em meio a um dia de intensificação dos confrontos. Horas antes, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a pressionar Teerã pela reabertura da via marítima, elevando o tom das ameaças. Paralelamente, ataques foram registrados em diferentes pontos do território iraniano, enquanto o país prometeu ampliar sua resposta militar.
O estreito permanece no centro das preocupações internacionais por seu peso estratégico. A interrupção parcial do tráfego já provoca efeitos nos mercados de energia, com reflexos nos preços de petróleo e gás.
Além de condenar ataques a embarcações, o projeto de resolução também cobrava a retomada imediata da livre circulação na região e previa a possibilidade de novas medidas contra ações que comprometam a segurança marítima.
Impasse diplomático
Após a votação, o chanceler do Bahrein, Abdullatif bin Rashid al Zayani, afirmou que o resultado evidencia dificuldades do Conselho em responder à crise e alertou para riscos à credibilidade do órgão diante da escalada no Oriente Médio.
O Conselho de Segurança é composto por 15 países, sendo cinco permanentes — China, Rússia, Estados Unidos, França e Reino Unido — com poder de veto. Para que uma resolução seja aprovada, é necessário o apoio de ao menos nove membros e a ausência de vetos.
