Aliados relatam lesão durante travessia marítima rumo à Noruega
A líder da oposição venezuelana María Corina Machado sofreu uma fratura em uma vértebra ao deixar clandestinamente a Venezuela em um barco de pesca, segundo aliados próximos. A saída ocorreu durante uma travessia marítima considerada de alto risco, em meio à escalada repressiva do regime de Nicolás Maduro.
De acordo com pessoas próximas para o Daily Mail, a lesão aconteceu durante o deslocamento pelo mar, realizado em condições precárias para evitar a vigilância das autoridades. A operação teria utilizado rotas clandestinas usadas por dissidentes do regime e exigiu deslocamentos rápidos por áreas costeiras monitoradas.
Após a fuga, María Corina seguiu para Oslo, onde buscou refúgio. Na capital norueguesa, ela afirmou publicamente que contou com apoio dos Estados Unidos para sair da Venezuela.
“Sim, recebemos ajuda do governo dos EUA”, declarou, ao responder a pergunta durante entrevista coletiva no Instituto Nobel.
A dirigente afirmou ainda que pretende concluir o processo de transição política em seu país. “É preciso terminar o trabalho para estabelecer a democracia”, disse.
O regime de Maduro, por sua vez, acusa Washington de tentar derrubá-lo para controlar reservas de petróleo venezuelanas. Nos últimos meses, segundo autoridades locais, houve aumento da tensão militar na região costeira do país.
María Corina, que vivia na clandestinidade desde agosto de 2024, reapareceu em público em Oslo após quase um ano. Ela relatou emoção ao reencontrar os três filhos — Ana Corina, Henrique e Ricardo — que vivem no exterior.
“Não consegui dormir a noite, repassando uma e outra vez o instante em que vi meus filhos”, afirmou. “No fim, abracei os três ao mesmo tempo e foi um dos momentos espirituais mais extraordinários da minha vida.”
A líder oposicionista chegou tarde demais para a cerimônia oficial do Prêmio Nobel da Paz, recebida por sua filha Ana Corina Sosa. Segundo relatos, o mau tempo e o mar agitado atrasaram a travessia marítima.
A fuga incluiu a saída da Venezuela rumo a Curaçao, de onde María Corina seguiu de avião para a Noruega. Há relatos de que a operação contou com colaboração de integrantes do próprio regime venezuelano, hipótese avaliada por autoridades internacionais.
