Assessor de Lula alerta que pressão externa pode desencadear conflito regional
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou que o Brasil não atuará para forçar a renúncia do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, mesmo diante do aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o governo do país chavista.
“Se Maduro chegar à conclusão de que deixar o poder é o melhor para ele e para a Venezuela, será uma conclusão dele… O Brasil jamais imporá isso; jamais dirá que isso é uma exigência… Não vamos pressionar Maduro a renunciar ou abdicar”, disse
A fala foi feita ao jornal The Guardian e ocorre em meio a uma escalada militar norte-americana no Caribe e no Pacífico.
Amorim reconheceu que a última eleição venezuelana gerou questionamentos, mas descartou qualquer apoio brasileiro a iniciativas que envolvam intervenção externa.
Segundo ele, soluções impostas de fora poderiam desencadear um conflito de grandes proporções.
“Se cada eleição questionável desencadeasse uma invasão, o mundo estaria em chamas”, disse.
O diplomata classificou como “ato de guerra” a recente decisão dos EUA de restringir o espaço aéreo da Venezuela e disse temer que a crise avance nas próximas semanas. Para ele, uma intervenção norte-americana poderia transformar a América do Sul em um novo Vietnã.
Amorim disse não querer fomentar especulações sobre a possibilidade de Maduro buscar refúgio no Brasil, embora não descarte que o venezuelano possa considerar o país como destino caso deixe Caracas.
Ele lembrou que o asilo político é uma tradição histórica na região, citando o acolhimento do ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez em 2005, quando o próprio Amorim era chanceler.
Amorim disse esperar que os Estados Unidos busquem uma solução diplomática que evite o agravamento das tensões. Segundo ele, a prioridade brasileira é impedir que a América do Sul se transforme em um novo palco de disputa militar global.
“A última coisa que precisamos é transformar o continente em uma zona de guerra”, afirmou.
