Pastor critica STF, defende Bolsonaro e cobra posicionamento da classe política
O pastor Silas Malafaia afirmou nesta segunda-feira (4), durante entrevista ao programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, que o Brasil vive uma “juristocracia” comandada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e não uma democracia de fato.
“Nós estamos vivendo uma juristocracia, não uma democracia”, disse Malafaia, citando o que chamou de “o maior constitucionalista brasileiro”, professor de Alexandre de Moraes, sem mencionar o nome.
Durante a entrevista, Malafaia criticou a condução dos inquéritos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou a defender a anistia dos investigados por 8 de janeiro e questionou o silêncio de políticos, incluindo governadores e lideranças da direita.
“Qual é a palavra de um desses governadores dizendo: ‘O Supremo Tribunal Federal tá fazendo um julgamento de uma faixa, de um pincel do golpe; Bolsonaro não quis dar golpe; tá errado, Alexandre de Moraes, você tá errado em botar tornozeleira num ex-presidente, censurar um ex-presidente’? Cadê a palavra deles?”
Para o pastor, a maioria da classe política se omite ou se aproveita do desgaste de Bolsonaro em busca de benefício próprio.
“Parece que tem gente assistindo assim: ‘Opa, se ele se ferrar, eu tô aí, hein?’… É só pra tirar proveito dos que apoiam, tirar proveito da direita, tirar proveito do anseio do povo?”
Malafaia também criticou decisões recentes do STF e relatou conversas com deputados sobre a tramitação de um eventual projeto de anistia.
“Falei com três deputados: ‘Que conversa é essa que se o Congresso aprovar a anistia, o Supremo vai declarar inconstitucionalidade?’ Artigo 48, inciso 8 da Constituição: atribuições do Congresso Nacional. Uma frase: concessão da anistia. Não diz pra quem, não diz quem merece. O Congresso tem autonomia total.”
Em tom crítico, o pastor também reforçou sua posição contrária ao governo Lula.
“Lula, como presidente da República, em junho de 2023 no Fórum de São Paulo, disse aquilo que historicamente combatemos: família, costumes e pátria. Por isso ontem eu disse que tem um traidor da pátria: Lula.”
Malafaia ainda comentou o papel da religião na formação da consciência política da população. Segundo ele, a igreja não apoia partidos nem candidatos, mas tem o dever de instruir os fiéis sobre valores e cidadania.
“Eu não deixo passar. Lamentavelmente, muitos líderes religiosos estão apenas no monte da religião. A pior coisa é negar que eu sou cidadão dessa pátria. A igreja não apoia presidente, nem governador, nem deputado e senador. Mas eu, como cidadão que participo de um segmento social, preciso valer a minha opinião e ensinar.”
Ele voltou a responsabilizar o PT pelo que classificou como uma “ideologização da educação”.
“O que o PT fez na educação brasileira, ideologizando a educação, nós vamos levar anos pra arrancar essa praga do inferno da sociedade brasileira.”
Ao final, Malafaia defendeu o engajamento da sociedade civil e de lideranças religiosas na reconstrução do país:
“Nós estamos construindo uma história para que as gerações futuras usufruam daquilo que estamos combatendo hoje. Existem sementes que não nascem imediatamente. E essa é uma delas que estamos plantando.”
