O levantamento mais recente do Datafolha aponta que 59% dos brasileiros com mais de 16 anos preferem trabalhar por conta própria, enquanto 39% dizem ver mais vantagens em empregos com carteira assinada. Entre os jovens, o índice sobe para 68%, indicando rejeição ainda maior à rigidez da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Desde 2022, a preferência por contratos formais caiu de 77% para 67%. Já a parcela que prioriza remuneração maior, mesmo sem registro, passou de 21% para 31%. O apoio à CLT é mais forte entre mulheres (71%) e pessoas com renda de até dois salários mínimos (72%).
O trabalhador qualificado, por exemplo, vê nos encargos da CLT um entrave à sua renda. O modelo atual, ainda amarrado a uma estrutura sindical ultrapassada, perde apelo.
A reforma trabalhista de 2017 buscou justamente enfrentar essas distorções, abrindo caminho para mais flexibilidade. O desafio agora é ajustar a legislação para que não se torne um obstáculo à geração de empregos e à autonomia produtiva.
Há riscos, especialmente para quem tem baixa qualificação, como a dependência de plataformas digitais e regras instáveis impostas por algoritmos. Ainda assim, o dado mais relevante é que a maioria dos trabalhadores prefere autonomia à tutela estatal.
O cenário reforça a urgência de reformas que incentivem o empreendedorismo, reduzam custos de contratação e ofereçam qualificação técnica. A modernização da legislação deve caminhar na direção da liberdade econômica com garantias mínimas, sem sufocar a geração de renda com excesso de normas e encargos.
