A maioria dos parlamentares da Câmara e do Senado apoia a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a crise do Banco Master, apesar da resistência da cúpula do Congresso. O dado consta no Placar da CPI do Master, levantamento realizado pelo Estadão junto a deputados e senadores.
Entre os 513 deputados federais, 283 (55%) se declararam favoráveis à criação de uma CPI. Apenas um parlamentar afirmou ser contrário. Quatro não responderam e os demais não se manifestaram. No Senado, 54 dos 81 senadores (66%) defendem a investigação. Um senador se posicionou contra, outro não respondeu, e os demais não se manifestaram.
O levantamento foi feito ao longo de dez dias, por meio de contatos diretos com os gabinetes, e seguirá sendo atualizado conforme novos posicionamentos forem registrados. O apoio declarado não se limita aos signatários dos requerimentos já protocolados.
Atualmente, há dois pedidos de CPI em tramitação no Congresso: um exclusivo da Câmara e outro para a criação de uma comissão mista, com deputados e senadores. A instalação depende de decisão dos presidentes das Casas.
Disputa por protagonismo
Nos bastidores, governistas e oposição disputam o controle e o escopo da investigação. A base aliada protocolou, em 2 de fevereiro, um requerimento de CPI na Câmara, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), com foco nas relações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
No dia seguinte, a oposição apresentou pedido de CPI mista, liderado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), com objetivo mais amplo. O requerimento reuniu apoio de 238 deputados e 42 senadores, número superior ao mínimo exigido. Apenas um senador do PT assinou o pedido.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) afirmou que “a cada etapa das apurações surgem indícios de um esquema com tentáculos que alcançam diferentes esferas”. Segundo ele, o Parlamento “não pode se omitir diante de tais fatos”.
Parlamentares da oposição defendem que a CPI mista tenha alcance nacional e inclua possíveis conflitos de interesse envolvendo autoridades. O deputado Eros Biondini (PL-MG) disse que se trata de “um dos maiores escândalos dos últimos tempos” e defendeu a instalação imediata da comissão.
Já Rollemberg afirmou que a CPI mista teria “objetivo de retaliação ao Supremo Tribunal Federal”, enquanto a investigação proposta por ele buscaria apurar “o escândalo do Banco Master” e suas relações políticas.
Resistência da cúpula
Apesar do apoio majoritário, a cúpula do Congresso resiste ao avanço da CPI. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o pedido “entrará na fila”. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ainda não marcou data para leitura do requerimento da CPI mista.
Parlamentares atribuem a resistência ao ano eleitoral e às conexões políticas do banqueiro Daniel Vorcaro em Brasília. Deputados citam a existência de uma articulação informal para barrar investigações, apelidada nos bastidores de “bancada do Master”.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que o Congresso tem mais condições de conduzir uma investigação imparcial. “A investigação conduzida pelo próprio STF é viciada”, disse, ao defender a CPI.
Apoio por partidos
O maior apoio à CPI vem do PL, principal partido de oposição ao governo Lula. Na Câmara, 65 deputados da sigla se declararam favoráveis. No Senado, o partido reúne 12 votos a favor.
Na Câmara, o apoio também aparece em bancadas do União Brasil, PT, PP, PSD e Republicanos. No Senado, além do PL, há respaldo de senadores do PSD, MDB, PP e PT.
Apenas dois parlamentares se declararam contrários à CPI: o deputado Prof. Reginaldo Veras (PV-DF) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Weverton afirmou ser contra CPIs em ano eleitoral e quando o tema já está sob investigação de outros órgãos.
Enquanto isso, a CPMI do INSS já convocou Daniel Vorcaro para depor no fim de fevereiro. Caso não compareça, parlamentares avaliam a possibilidade de condução coercitiva.
