Lula vai usar o “essa escola de samba não é minha”?
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Lula vai usar o “essa escola de samba não é minha”?

No Alive, Cláudio Dantas questiona tentativa de Lula de se desvincular de desfile da Acadêmicos de Niterói

Metadescrição: No programa Alive, Cláudio Dantas levanta hipótese de Lula dizer “essa escola não é minha” após derrota da Acadêmicos de Niterói e comentaristas apontam uso político do desfile

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

No programa Alive desta quinta-feira (19), no YouTube, o jornalista Cláudio Dantas afirmou que há um movimento para desvincular o Lula do desfile da Acadêmicos de Niterói, que terminou rebaixada no Carnaval do Rio.

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Dantas relatou conversa com um advogado ligado ao presidente. Segundo ele, o argumento foi de que Lula não teria atuado para que o enredo fosse escolhido. “O Lula não fez nada para que esse enredo viesse para o desfile. O Lula não tem nada a ver com…”, disse o jornalista ao reproduzir o diálogo.

Na sequência, fez uma comparação e levantou a hipótese de Lula negar vínculo com a escola. “Essa escola não é minha”, afirmou Dantas, ao lembrar o caso do sítio de Atibaia. Para ele, o esforço agora seria evitar a associação entre o presidente e a derrota. Segundo o apresentador, Lula esteve presente no sambódromo, desceu à pista e cumprimentou integrantes da agremiação, mas aliados passaram a sustentar que ele “não tem nada a ver com essa escola derrotada”.

O cineasta Josias Teófilo afirmou que o desfile teve conotação política. Ele disse que a história das escolas de samba tem relação com governos autoritários e citou o período do Estado Novo. Segundo ele, a subvenção às escolas começou com Getúlio Vargas.

Teófilo declarou que o desfile teve características de culto à personalidade. “Tem cara de ditadura mesmo”, afirmou. Também disse que houve erro de cálculo político. Para ele, o governo não considerou o impacto nas redes sociais. Segundo o cineasta, o conteúdo gerou memes e viralizações negativas.

Ele acrescentou que, na sua avaliação, houve antecipação de campanha. Disse que “está na cara que a campanha é antecipada” e que não descarta desdobramentos jurídicos.

O jornalista Lucas Berlanza abordou a origem da Acadêmicos de Niterói. Ele afirmou que a escola surgiu a partir da reativação de um CNPJ aberto em 2018 e que teria assumido a vaga da Acadêmicos do Sossego na Série Ouro. Segundo Berlanza, a mudança ocorreu em 2022.

Ele disse que a ascensão ao Grupo Especial foi rápida. “Ela pegou um atalho”, afirmou. Berlanza relatou que a escola já enfrentava dificuldades estruturais e que o rebaixamento era previsível.

Segundo ele, a escolha do enredo sobre Lula teria como objetivo atrair atenção e recursos. “Eles escolheram isso. Já pensando em atrair a atenção da mídia, em causar e atrair apoio e verba”, declarou.

A cientista política Júlia Lucy destacou repasses públicos à escola. Ela mencionou valores de financiamento municipal, estadual e federal. Também citou visitas da primeira-dama Janja à agremiação e reuniões no Palácio do Planalto com integrantes da escola.

Para Lucy, há indícios de articulação política. Segundo ela, “é bastante óbvio e as provas são fartas de que a discussão da criação do samba enredo contou sim com a anuência talvez até solicitação do próprio PT”.

Ela questionou ainda se outras escolas poderiam contestar a participação da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial. Segundo Lucy, o histórico da escola poderia ensejar questionamentos sobre o cumprimento das regras.

Durante o programa, Dantas voltou a mencionar a possibilidade de Lula se afastar politicamente do episódio. Ao citar a reação nas redes sociais, reforçou a hipótese de que o discurso passe a ser o de que “essa escola não é minha”.

Assista ao programa na íntegra

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