Lula quer convencer China a lançar satélite na base de Alcântara - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Lula quer convencer China a lançar satélite na base de Alcântara

Lula justifica que quer atrair a China para desenvolver uma cadeia de suprimentos que fortaleça a infraestrutura de lançamentos espaciais em Alcântara
Lula quer atrair a China para desenvolver uma cadeia de suprimentos que "fortaleça" a infraestrutura de lançamentos espaciais em Alcântara

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Por Redação

A ditadura chinesa mantém resistência em usar a base de Alcântara, no Maranhão, para lançar satélites da parceria Cbers (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), conforme proposta do governo brasileiro. O tema entrou na pauta do encontro entre o presidente Lula e Xi Jinping em Pequim, no início de maio. Lula justifica que quer atrair a China para desenvolver uma cadeia de suprimentos que fortaleça a infraestrutura de lançamentos espaciais em Alcântara.

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Dois entraves dificultam o acordo. Primeiro, a China evita realizar lançamentos de satélites com tecnologia própria em bases estrangeiras. Com cinco centros de lançamento em seu território, o país considera a tecnologia espacial sensível e de interesse nacional. O único precedente ocorreu em 2012, quando o foguete Longa Marcha 2D levou o satélite venezuelano VRSS-1 à órbita a partir de Kourou, na Guiana Francesa.

O segundo obstáculo é o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, assinado pelo Brasil com os Estados Unidos em 2019. O documento permite lançamentos em Alcântara apenas por países signatários do MTCR (Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis), do qual o Brasil faz parte desde 1995. A China não integra o acordo, o que impede operações com seus foguetes na base brasileira. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações sugere que um foguete brasileiro poderia contornar a restrição, mas o Brasil não dispõe dessa tecnologia.

A cooperação sino-brasileira no programa Cbers já lançou seis satélites, todos a partir do Centro de Lançamento de Taiyuan, a 760 km de Pequim. Os próximos projetos incluem o Cbers-6, previsto para 2028, e o Cbers-5, em 2030, ambos voltados ao monitoramento climático e ambiental.

As negociações sobre Alcântara devem avançar em julho, durante a visita de Xi Jinping ao Brasil para a Cúpula do Brics. A resistência chinesa e as restrições do acordo com os EUA, porém, desafiam as ambições brasileiras de consolidar a base maranhense como polo aeroespacial.

Os grandes avanços geopolíticos envolvendo Brasil e China costumam ser retratados no varejo, obscurecendo a visão do atacado.

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