Prefeito de Maceió desiste de 2026 após nomeação de tia por Lula
O presidente Lula liberou nesta quinta-feira (10) a nomeação de indicados para tribunais superiores após nove meses de impasse. A decisão contempla interesses políticos e abre espaço para a candidatura do deputado Arthur Lira (PP-AL) ao Senado.
Para o STJ (Superior Tribunal de Justiça), Lula nomeou Maria Marluce Caldas Bezerra, procuradora de Justiça de Alagoas e tia do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), o JHC. Em troca, JHC comprometeu-se a concluir seu mandato na prefeitura e não concorrer nas eleições de 2026. A promessa remove o principal obstáculo local à candidatura de Lira ao Senado.
O gesto também reforça o apoio ao projeto de reajuste do Imposto de Renda, relatado por Lira. O governo busca aprová-lo como vitrine para a reeleição, com isenção para rendas de até R$ 5 mil mensais.
O acerto envolveu ainda articulações com a família Calheiros. O MDB espera lançar Renan Filho ao governo estadual e reconduzir Renan Calheiros ao Senado. A saída de JHC da disputa retira o risco de divisão da base.
Lula havia recebido JHC no mês passado e pediu apoio à indicação da tia. Em contrapartida, ouviu pedido para adiar a nomeação. Agora, com a publicação da nomeação no Diário Oficial, o acordo foi formalizado nos bastidores. Pessoas próximas ao processo afirmam que JHC se comprometeu com Lula e com Lira a permanecer no cargo.
Apesar do acerto, aliados do prefeito mantêm cautela. Parte do PL desconfia que JHC possa rever a decisão e entrar na disputa estadual. A dúvida é reforçada pelo histórico de recuos e pela força eleitoral do prefeito.
A nomeação destrava a cadeira no STJ reservada ao Ministério Público, cuja lista tríplice estava parada desde 2024. Marluce concorria com os procuradores Carlos Frederico Santos e Sammy Barbosa Lopes.
Para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Lula indicou Estela Aranha e reconduziu Floriano de Azevedo Marques. Ambos contam com o apoio dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A mudança ocorre para equilibrar a composição do tribunal, que contará com Kassio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Jair Bolsonaro.
Estela foi secretária de Direitos Digitais no Ministério da Justiça e passou a integrar o gabinete da ministra Cármen Lúcia. Sua nomeação foi articulada com Dino, a partir de sugestão do ministro Gilmar Mendes. A principal concorrente era Vera Lúcia Santana Araújo, ligada a Janja e ao grupo Prerrogativas.
A escolha de Floriano para a segunda vaga provocou atrito com ministros do STF, após a decisão de Cármen Lúcia de elaborar listas separadas por gênero. Com isso, André Ramos Tavares, aliado de Moraes, ficou de fora.
Os novos nomes passam a compor o TSE na eleição presidencial de 2026.
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